Favoritos de 2014 (em construção)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Resenha || Entre as Mãos, de Juliana Leite

Editora Record, 2018 || 256 páginas || Skoob
Sinopse: Vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2018 na categoria Romance. Conduzido com precisão e movido por uma poderosa força que impulsiona todo o relato, Entre as mãos gira em torno de Magdalena, uma tecelã que, depois de um grave acidente, precisa retomar seus dias, reaprender a falar e levar consigo dolorosas cicatrizes — não apenas no corpo. Com personagens e tempos narrativos que se atravessam como fios trançados, este romance tem a marca de peça única, debruçando-se sobre questões como sobrevivência e ancestralidade, mas também amor e mistério a partir do corpo, do trabalho e dos gestos da protagonista, em duas fases de sua vida. 

RESENHA ✍

Entre as Mãos é o romance de estréia da escritora carioca Juliana Leite, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura de 2018. Esse é um livro de narrativa não linear, formado como que por retalhos; uma colcha intrincada, feita a mão, formada por fragmentos de memória, lembranças, nem sempre confiáveis.

Aqui conhecemos a personagem Magdalena através de fragmentos de memória. Magdalena é uma tecelã que vende tapetes na feira, de vida simples; indo trabalhar, sofre um acidente no trânsito e tem o corpo dilacerado. Sua mão queima, seu útero é retirado, suas pernas e braços custam a funcionar, sua fala é prejudicada e também seu trabalho, o de tecer linhas e mais linhas com as mãos na construção de lindos tapetes... Agora, ela volta a morar com as três tias que a criaram para se recuperar do acidente. As quatro dividem um apartamento pequeno, sobrevivendo com pouco, mas com todo cuidado que uma pode dar a outra.
"Está aí algo que ainda tenho de você em mim: a habilidade de tomar as linhas soltas, as partes inexplicadas que sempre existem, dando a elas um encaixe, um lugar possível e modesto no conjunto de uma trama." p. 133
Essa foi uma trama que me surpreendeu bastante, tanto pela narrativa mais intrincada quando pela história em si e seus personagens. Foi uma leitura que me deu um nó na cabeça, e até agora estou tentando entender de fato o que aconteceu.


Não foi uma leitura das mais fáceis; fiz ela quase toda com a testa franzida, a cara de quem se esforça para não deixar escapar o fio que une os pedaços da trama. Mas isso só deixou a leitura mais interessante, imprevisível. A autora podia seguir pelas mais diversas direções, ela escreveu de forma a ter essa liberdade, a liberdade pra mudar a história, os personagens, a forma narrativa. Foi bem intenso. A escrita da Juliana é muito bonita, forte, e me encantou desde a primeira página.
"Você planejava as entradas dos parágrafos, a numeração dos capítulos, cuidando para que as cortinas e as cenas das cortinas, os corpos e as cenas dos corpos os lábios e os lábios em movimento para que tudo funcionasse. Você achou aquilo parecido com fazer tapetes. Tramar e escrever, coisas que se fazem com as mãos." p. 149
 Certamente uma leitura que recomendo, e espero ter a oportunidade de continuar acompanhando e prestigiando o incrível trabalho da Juliana :)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Resenha || Força é a Nova Beleza, de Kate T. Parker

Editora Rosa dos Tempos, 2018 || 256 páginas || Skoob
Sinopse: Nas 175 fotos Força é a nova beleza, você vai ver meninas empoderadas, engraçadas, aventureiras, assertivas, barulhentas e criativas. Garotas que amam esportes e garotas que amam artes. Guerreiras. Sobreviventes. Garotas com os pés calejados em sapatilhas de balé e garotas usando camisas de futebol. Garotas desafiadoras e orgulhosas, mostrando suas cicatrizes, cabelos bagunçados e pés encardidos. Garotas aconchegadas no sofá, brincando ao ar livre, reivindicando sua independência diante das adversidades, cantando e tocando instrumentos. Este livro captura sua essência em palavras e sorrisos, com fotografias que inspiram — e servem como prova da máxima de que o que somos por dentro é o que conta. 

RESENHA ✍

Não é incomum encontrarmos imagens de garotas todas produzidas, participantes de concurso de beleza mirim, modelos de maquiagem, de roupas de grife, de salto alto e parecendo bem mais velhas do que realmente são. A industria da beleza não polpa as crianças, e hoje em dia é algo mais escrachado; a quantidade de denuncias, de repúdio, não vencem o sistema, que propaga a imagem de meninas agindo como adultas. Até no dia a dia, nas rotinas familiares, vemos isso ser aplicado de forma mais sutil: as garotas precisam se sentar "como mocinhas", estar com os cabelos sempre bem penteados, sempre limpas e com roupas passadas; pés limpos, calçadas, bem vestidas, sempre rosa.

Eu lembro que já ouvi tudo isso, desde bem pequena sempre ouvia como deveria me comportar, como deveria me vestir ou usar meu cabelo. Aos sete anos, vestidos rodados eram meu pesadelo, e eu chorava para não ter que usá-los, mas tinha que usar mesmo assim. Hoje vejo isso sendo imposto ainda na minha família, a questão da cor, dos modos... Mas só com as meninas. Sempre com as meninas.
"Todos nós levamos rasteiras da vida. Caímos. Falhamos. No trabalho, nas brincadeiras, na escola. (...) Independente disso, a mensagem é a mesma: em alguns momentos, a vida será difícil. (...) Uma escolha errada é apenas uma escolha errada. Uma oportunidade perdida representa que outras virão. A vida derruba essas meninas, mas elas não ficam no chão - elas nunca ficam no chão." p. 73
Neste livro a fotógrafa Kate T. Parker celebra a arte de ser livre, a beleza de ser quem você é, de fazer o que ama e se deliciar com isso. São 175 fotos que mostram garotas sendo corajosas, brincando, sujas de lama, praticando esportes, com cabelos emaranhados e roupas encardidas, rasgadas na euforia das brincadeiras ao ar livre; elas tocam instrumentos, cantam, descobrem sua voz, sua força, sua garra. Elas querem mudar o mundo, ser reconhecidas no mundo, e encantam com suas palavras doces e sinceras, e seus sorrisos enormes. "Força é a nova beleza" é um livro inspirador. Adorei conhecer cada uma dessas crianças incríveis, criativas e espertas...

É um livro de fotografias, cada uma com uma frase da garota ali, seu nome e idade. É mais um livro da editora Rosa dos Tempos de conteúdo empoderador e inspirador, que com certeza irei emprestar e incentivar a leitura.

Conheça algumas das meninas do livro:

"Pular nas folhas é a melhor coisa!" Alice, 6 anos.
"Gosto de manter a mente aberta para ser mais criativa." Faith, 18 anos.
"Acho que todas as garotas deveriam se concentrar mais em quem são por dentro e bem menos na aparência. Me senti muito mais forte quando parei de me importar. Cabelo molhado de água do lago? Tô nem aí!" Haley H., 10 anos
"Tenho artrite juvenil e não gosto quanto tenho que usar minha cadeira de rodas. Mas quando preciso usá-la, fico no controle e não preciso que ninguém me empurre." Emme, 7 anos.

Lembrou de alguma garota? Que tal dar esse (ou outro livro) de presente neste Natal? Tenho certeza que alguém ficará muito feliz :)

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Resenha || Semente de Bruxa, de Margaret Atwood

Editora Morro Branco, 2018 || 352páginas || Skoob
Sinopse: Felix está em seu melhor momento como diretor artístico do Festival de Teatro de Makeshiweg. Suas produções anteriores encantaram e desconcertaram a audiência. Agora ele irá produzir A tempestade como jamais fora encenada: a peça não apenas aumentará sua reputação, mas servirá para curar antigas feridas emocionais... ou este era o plano. Após um ato de traição inimaginável, Felix exilou-se em uma cabana caindo aos pedaços, assombrado pelas memórias de uma filha perdida, enquanto espera por vingança. E ela chega após doze anos, na forma de um curso de teatro em um presídio. Ali, Felix e seus atores encarcerados finalmente montam A tempestade e preparam uma armadilha para os traidores que o destruíram. Mas irá a peça restaurar a vida de Felix, ao derrubar seus inimigos?  

RESENHA ✍

Semente de Bruxa é um livro curto e maravilhosamente envolvente no qual somos apresentados a Felix, diretor artístico do Teatro de Makeshiweg e conhecido por suas produções elaboradas e encantadoras que arrebatam o público. Seu próximo grande show será a produção da peça A Tempestade, de William Shakespeare, que não apenas aumentará sua popularidade no teatro, mas será uma forma de aliviar seu emocional abalado depois de uma grande perda.

Felix tem seus planos suspensos quando seu assistente arma contra ele um grande golpe, que não só cancela a produção, mas tira dele seu amado emprego no teatro. Abalado pela traição e perseguido por lembranças que o tiram do eixo, busca exílio em uma antiga cabana no meio do nada, planejando sua grande vingança. Após anos longe dos teatros ele tem a oportunidade de trabalhar como professor em um presídio ali perto, onde ele monta um curso de teatro onde os alunos encarcerados se tornam atores, personagens de narrativas de Shakespeare, histórias de amor, aventura e vingança. Esse ano a peça encenada será sua Tempestade, e ele dará tudo de si para montar uma apresentação inesquecível para todos ali, especialmente para seus traidores. 

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Resenha || Bagageiro, de Marcelino Freire

José Olympio, 2018 || 160 páginas || Skoob
Sinopse: Bagageiro, no Recife, é onde se leva todo tipo de coisa em cima da bicicleta: mercadoria, botijão de gás, criança etc. Neste Bagageiro, encontramos uma coletânea de pequenas histórias, entremeadas por comentários – por vezes mordazes – sobre a escrita, o país, o mundo, a vida literária e não literária. Classificados pelo autor como “ensaios de ficção”, os textos reunidos nesta obra fazem parte de um gênero atípico, misturando críticas à realidade, toques de humor sagaz e prosa poética, tudo isso com o estilo único e brilhante de Marcelino Freire.  

RESENHA ✍

Bagageiro foi um livro que já me chamou atenção pelo título; depois, lendo sobre o autor, descubro que Marcelino é pernambucano, como eu, e a vontade de ler esse livro só intensificou. Se você pesquisar no Google o significado da palavra bagageiro vai encontrar a seguinte definição: Bagageiro 1. que ou o que transporta bagagens. Em Recife, bagageiro é "onde a gente leva tudo, de carona, em cima da bicicleta. Botijão de gás, criança, bomba atômica" (citando a orelha do livro).

Quem é de Pernambuco visualiza logo um bagageiro lotado de tralhas em cima da bicicleta, que passa avexada nos quebra-mola quase derrubando tudo que, quase sempre, se equilibra amarrado com uma corda fina ou mesmo umas voltas de barbante, na base da fé e da confiança em quem está levando aquilo.

Bagageiro é um livro que também traz muita coisa em poucas páginas, pouco espaço. São 17 ensaios em pouco mais de 150 páginas, ou como diz o autor "esta foi uma obra de ficção. Embora tenha sido um livro de ensaios". É difícil definir os textos que o autor nos apresenta aqui; alguns são formados de trechos, frases curtas e recortes; outros são puro diálogo... Mas todos carregam sentimento, emoção, reflexão, nostalgia, críticas sociais, homenagens, arte e literatura simples e bela.
"A poesia ajudou a multiplicar. Somos falidas para outras riquezas, compreendem a beleza? A gente sabe onde fica o chão do nosso lugar. A arte faz isso. Recupera. Não é essa demência que querem nos vender. De que a arte não serve, a arte é para vagabundos. Bêbados. Eu só bebo água da boa, que cai ali, sem engarrafar. Vivo com o tempo que o tempo me dá. E eu me sento, plena, se depender de mim todo dia triunfa um poema."

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

LISTA || 5 lançamentos super aguardados | Novembro/18


Os últimos meses do ano são sempre os mais agitados quando o assunto é lançamento de livros! Continuações aguardadas, autores estreantes no país e relançamentos super desejados... tudo bem pertinho da Black Friday. Hoje selecionei 5 dos lançamentos recentes que pretendo adquirir e ler em breve :) Ah, clicando nas capas vocês serão redirecionados para o perfil de cada livro no skoob.


O Portão do Obelisco, de N. K. Jemisin (Trilogia Terra Partida #2) | @editoramorrobranco

O Portão do Obelisco

O Portão do Obelisco é a continuação de A Quinta Estação, o melhor livro que li esse ano e que se tornou o favorito da vida. Sim, é bom mesmo, e todo o hype que recebe tanto aqui quanto na gringa é real. Fiz resenha dele recentemente lá no @umaleitoravorazblog e vocês podem conferir lá mais sobre a obra e minha opinião. Dá pra imaginar o quão empolgada estou para essa sequência, certo? Mal posso esperar para ter esse livro em mãos, e assim que tiver farei a leitura... As expectativas estão nas alturas!

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Resenha || Mas Tem Que Ser Mesmo Para Sempre?, de Sophie Kinsella

Record, 2018 || 378 páginas || Skoob
Sinopse: Juntos há dez anos, Sylvie e Dan compartilham todas as características de uma vida feliz: uma bela casa, bons empregos, duas filhas lindas, além de um relacionamento tão simbiótico que eles nem chegam a completar suas frases – um sempre termina a fala do outro. No entanto, quando os dois vão ao médico um dia, ouvem que sua saúde é tão boa que provavelmente vão viver mais uns 68 anos juntos... e é aí que o pânico se instala. Eles nunca imaginaram que o “até que a morte nos separe” pudesse significar sete décadas de convivência. Em nome da sobrevivência do casamento, eles rapidamente bolam um plano para manter acesa a chama da paixão: de um jeito criativo e dinâmico, passam a fazer pequenas surpresas mútuas, a fim de que seus anos (extras) juntos nunca se tornem um tédio. Porém, assim que o Projeto Surpresa é colocado em prática, contratempos acontecem e segredos vêm à tona, o que ameaça sua relação aparentemente inabalável. Quando um escândalo do passado é revelado e algumas importantes verdades não ditas são questionadas, os dois – que antes tinhas certeza de se conhecerem melhor do que ninguém – começam a se perguntar: Quem é essa pessoa de verdade?...”. 

RESENHA ✍

Sylvie e Dan são felizes. Juntos há exatamente dez anos e pais de duas meninas, eles possuem uma relação de cumplicidade, adivinham o pensamento e terminam as frases um do outro... até que uma consulta com o médico muda tudo.

Depois de um exame de rotina rápido, eles são informados de que ainda viverão muitos anos, pelo menos mais 68 anos juntos, e isso os desespera. Mais 68 anos juntos, vivendo na mesma casa, compartilhando as mesmas coisas... Isso deveria deixá-los animados, mas logo a realidade vai bater à porta, e eles sentem a necessidade de inventar alguma coisa, qualquer coisa, para manter a chama da relação acesa. Assim, nasce o Projeto Surpresa, logo colocado em prática. Mas o que deveria mantê-los mais unidos e apaixonados se revela um projeto cheio de furos e fadado ao fracasso quando alguns segredos são revelados, levando à superfície fantasmas do passado que podem ameaçar a relação cada vez mais abalada.
— Nós dividimos nossa vida em décadas. Em cada década fazemos algo diferente e legal. Conquistamos coisas. Nos superamos. Tipo, que tal se, por uma década inteira, a gente só se falasse em italiano?
— O quê?

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Resenha || A Terra Longa, de Terry Pratchett e Stephen Baxter

Bertrand Brasil, 2018 || 350 páginas || Skoob
Sinopse: Dois grandes autores de ficção científica se unem para dar início a uma aventura entre mundos paralelos. Tudo começa com a oficial Monica Jansson, que vasculha o que restou da casa de um cientista recluso misteriosamente desaparecido e encontra um Saltador: aparelho que permite viagens por entre infinitas Terras paralelas. Anos depois, conhecemos Joshua Valienté, um saltador natural, que não precisa do aparelho para transitar entre universos. Após viver boa parte da vida como um andarilho solitário, ele é recrutado pela influente Black Corporation para uma viagem de exploração, na qual deve seguir até os confins desses múltiplos mundos, afastando-se cada vez mais da Terra Padrão, e descobrir os segredos e surpresas que a Terra Longa reserva.  

RESENHA ✍

A Terra Longa é o primeiro livro de uma série de ficção científica escrita a quatro mãos por Terry Pratchett e Stephen Baxter. Pratchett é mais conhecido pelos livros da série Discworld e pelo teor cômico de suas narrativas fantásticas. Em 2017 a editora Bertrand trouxe uma nova edição de Belas Maldições, que o autor escreveu junto a Neal Gaiman e que é um dos livros mais aclamados de ambos os escritores (resenha aqui). Stephen Baxter é um escritor de ficção científica hard premiado, graduado em matemática e engenharia, conhecido pela criação de universos alternativos e introduzir muito da matemática, física e história da evolução em seus livros.

Escrito por dois autores incríveis e mundialmente reconhecidos por seus trabalhos de ficção científica e fantasia, A Terra Longa é uma fusão das características mais proeminentes nas obras de ambos. Soma a imaginação, criatividade e imprevisibilidade de Terry Pratchett na construção dos personagens, diálogos e comicidade com o conhecimento de Baxter nos detalhes mais científicos e matemáticos do livro, coisas que também não são estranhas ao primeiro. Eles não decepcionam.

Resenha || A Boa Filha, de Karin Slaughter

HarperCollins Brasil, 2018|| 464 páginas || Skoob
Sinopse: Quando eram adolescentes, a vida tranquila de Charlotte e Samantha Quinn foi destruída por um terrível ataque em sua casa. Sua mãe foi assassinada. Seu pai um famoso advogado de defesa de Pikeville, Geórgia ficou arrasado. E a família foi dividida por anos, para além de qualquer conserto, consumida pelos segredos daquela noite terrível. Vinte e oito anos depois, Charlie seguiu os passos de Rusty, seu pai, e se tornou advogada mas está determinada a ser diferente dele. Quando outro caso de violência assombra Pikeville, Charlie acaba embarcando em um pesadelo que a obriga a olhar para trás e reviver o passado. Além de ser a primeira testemunha a chegar na cena, o caso também revela as memórias que ela passou tanto tempo tentando esconder. Agora, a verdade chocante sobre o crime que destruiu sua família há quase trinta anos não poderá mais permanecer enterrada e Charlotte precisa se reencontrar com Samantha, não apenas para lidar com o crime, mas também com o trauma vivido. A Boa Filha é mais uma obra-prima de Karin Slaughter, um enredo sólido, com caracterizações fortes e reviravoltas extraordinárias, um misto de drama e terror que faz arrepiar até os leitores mais corajosos.  

RESENHA ✍

Pikeville, Georgia, 1989. Uma noite mudaria tudo na vida da família Quinn. Depois de terem que se mudar as pressas para uma casa de fazenda no meio do nada, a família tenta se ajustar ao novo lugar. Sua casa antiga foi transformada em cinzas por um dos inimigos de Rusty, advogado de defesa odiado na cidade. A cota de tragédias na vida, porém, estava prestes a aumentar.

A casa é invadida por dois homens mascarados que tornam a vida de Charlotte e Samantha em um verdadeiro inferno. Elas veem a mãe ser brutalmente assassinada, seu corpo estraçalhado e irreconhecível. Depois, elas tentam fugir, mas Sam, a mais velha das irmãs, é atingida por um tiro na cabeça e enterrada viva. Charlotte consegue correr, mas também é alcançada.

28 anos se passaram depois do pesadelo que vivenciaram, e elas se reencontram depois de perder contato. Samantha é uma advogada bem-sucedida que trabalha para uma grande empresa em outra parte do país. Charlotte também é advogada, e segue o mesmo caminho do pai, sem nunca deixar a cidade. Uma nova tragédia em Pikeville é o motivo da volta de Samantha, e uma sucessão de acontecimentos dignos de um filme de terror é o que pode, ou não, reaproximar as irmãs... ou destruí-las de vez.
"Eu te amo, sei que você me ama, mas todas as vezes que nos vemos lembramos do que aconteceu e nenhuma de nós conseguirá seguir em frente se estivermos sempre olhando para trás."