Favoritos de 2014 (em construção)

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Resenha || A Terra Longa, de Terry Pratchett e Stephen Baxter

Bertrand Brasil, 2018 || 350 páginas || Skoob
Sinopse: Dois grandes autores de ficção científica se unem para dar início a uma aventura entre mundos paralelos. Tudo começa com a oficial Monica Jansson, que vasculha o que restou da casa de um cientista recluso misteriosamente desaparecido e encontra um Saltador: aparelho que permite viagens por entre infinitas Terras paralelas. Anos depois, conhecemos Joshua Valienté, um saltador natural, que não precisa do aparelho para transitar entre universos. Após viver boa parte da vida como um andarilho solitário, ele é recrutado pela influente Black Corporation para uma viagem de exploração, na qual deve seguir até os confins desses múltiplos mundos, afastando-se cada vez mais da Terra Padrão, e descobrir os segredos e surpresas que a Terra Longa reserva.  

RESENHA ✍

A Terra Longa é o primeiro livro de uma série de ficção científica escrita a quatro mãos por Terry Pratchett e Stephen Baxter. Pratchett é mais conhecido pelos livros da série Discworld e pelo teor cômico de suas narrativas fantásticas. Em 2017 a editora Bertrand trouxe uma nova edição de Belas Maldições, que o autor escreveu junto a Neal Gaiman e que é um dos livros mais aclamados de ambos os escritores (resenha aqui). Stephen Baxter é um escritor de ficção científica hard premiado, graduado em matemática e engenharia, conhecido pela criação de universos alternativos e introduzir muito da matemática, física e história da evolução em seus livros.

Escrito por dois autores incríveis e mundialmente reconhecidos por seus trabalhos de ficção científica e fantasia, A Terra Longa é uma fusão das características mais proeminentes nas obras de ambos. Soma a imaginação, criatividade e imprevisibilidade de Terry Pratchett na construção dos personagens, diálogos e comicidade com o conhecimento de Baxter nos detalhes mais científicos e matemáticos do livro, coisas que também não são estranhas ao primeiro. Eles não decepcionam.

Resenha || A Boa Filha, de Karin Slaughter

HarperCollins Brasil, 2018|| 464 páginas || Skoob
Sinopse: Quando eram adolescentes, a vida tranquila de Charlotte e Samantha Quinn foi destruída por um terrível ataque em sua casa. Sua mãe foi assassinada. Seu pai um famoso advogado de defesa de Pikeville, Geórgia ficou arrasado. E a família foi dividida por anos, para além de qualquer conserto, consumida pelos segredos daquela noite terrível. Vinte e oito anos depois, Charlie seguiu os passos de Rusty, seu pai, e se tornou advogada mas está determinada a ser diferente dele. Quando outro caso de violência assombra Pikeville, Charlie acaba embarcando em um pesadelo que a obriga a olhar para trás e reviver o passado. Além de ser a primeira testemunha a chegar na cena, o caso também revela as memórias que ela passou tanto tempo tentando esconder. Agora, a verdade chocante sobre o crime que destruiu sua família há quase trinta anos não poderá mais permanecer enterrada e Charlotte precisa se reencontrar com Samantha, não apenas para lidar com o crime, mas também com o trauma vivido. A Boa Filha é mais uma obra-prima de Karin Slaughter, um enredo sólido, com caracterizações fortes e reviravoltas extraordinárias, um misto de drama e terror que faz arrepiar até os leitores mais corajosos.  

RESENHA ✍

Pikeville, Georgia, 1989. Uma noite mudaria tudo na vida da família Quinn. Depois de terem que se mudar as pressas para uma casa de fazenda no meio do nada, a família tenta se ajustar ao novo lugar. Sua casa antiga foi transformada em cinzas por um dos inimigos de Rusty, advogado de defesa odiado na cidade. A cota de tragédias na vida, porém, estava prestes a aumentar.

A casa é invadida por dois homens mascarados que tornam a vida de Charlotte e Samantha em um verdadeiro inferno. Elas veem a mãe ser brutalmente assassinada, seu corpo estraçalhado e irreconhecível. Depois, elas tentam fugir, mas Sam, a mais velha das irmãs, é atingida por um tiro na cabeça e enterrada viva. Charlotte consegue correr, mas também é alcançada.

28 anos se passaram depois do pesadelo que vivenciaram, e elas se reencontram depois de perder contato. Samantha é uma advogada bem-sucedida que trabalha para uma grande empresa em outra parte do país. Charlotte também é advogada, e segue o mesmo caminho do pai, sem nunca deixar a cidade. Uma nova tragédia em Pikeville é o motivo da volta de Samantha, e uma sucessão de acontecimentos dignos de um filme de terror é o que pode, ou não, reaproximar as irmãs... ou destruí-las de vez.
"Eu te amo, sei que você me ama, mas todas as vezes que nos vemos lembramos do que aconteceu e nenhuma de nós conseguirá seguir em frente se estivermos sempre olhando para trás."

domingo, 14 de outubro de 2018

Resenha || O Mito da Beleza, de Naomi Wolf

Rosa dos Tempos, 2018 || 490 páginas || Skoob
Sinopse: Um dos livros mais importantes da terceira onda feminista. Clássico que redefiniu nossa visão a respeito da relação entre beleza e identidade feminina. Em o mito da beleza , a jornalista Naomi Wolf afirma que o culto à beleza e à juventude da mulher é estimulado pelo patriarcado e atua como mecanismo de controle social para evitar que sejam cumpridos os ideais feministas de emancipação intelectual, sexual e econômica conquistados a partir dos anos 1970. As leitoras e os leitores encontrarão exposta a tirania do mito da beleza ao longo dos tempos, sua função opressora e as manifestações atuais no lar e no trabalho, na literatura e na mídia, nas relações entre homens e mulheres e entre mulheres e mulheres. Naomi Wolf confronta a indústria da beleza, tocando em assuntos difíceis, como distúrbios alimentares e mentais, desenvolvimento da indústria da cirurgia plástica e da pornografia. Esta edição, revista e ampliada, traz uma apresentação da autora contextualizando o livro para os leitores de hoje, já que esteve mais de duas décadas longe das livrarias brasileiras.  

RESENHA ✍

O Mito da Beleza é um clássico da terceira onda feminista escrito por Naomi Wolf na década de 1990 que renova a preocupação e a consciência sobre como a mídia de propaganda atinge as mulheres em variados contextos, seja na aparência, trabalho, direitos, maternidade, relações conjugais ou sociais.

O livro é dividido em oito partes: o mito da beleza, o trabalho, a cultura, a religião, o sexo, a fome, a violência e "para além do mito da beleza"; contando também com apresentação (da autora), introdução, agradecimentos, notas, bibliografia e índice remissivo. É uma obra completa, onde Naomi se mune de fatos, estatísticas e pesquisas, citando outras autoras, trabalhos e livros feministas no caminho. Como um livro de não ficção, O Mito da Beleza se consagra como uma das leituras mais importantes para entender a construção da imagem da beleza e perfeição física e de comportamento que são impostos às mulheres, como a autora tão bem explica:
"O mito da beleza tem a seguinte história a contar. A qualidade chamada 'beleza' existe de forma objetiva e universal. As mulheres devem querer encarná-la, e os homens devem querer possuir mulheres que a encarnem. Encarnar beleza é uma obrigação para as mulheres, não para os homens, situando esta necessária e natural por ser biológica, sexual e evolutiva. (...) Nada disso é verdade. A 'beleza' é um sistema monetário semelhante ao padrão-ouro. Como qualquer sistema, ele é determinado pela política e, na era moderna no mundo ocidental, consiste no último e melhor conjunto de crenças a manter intacto o domínio masculino. Ao atribuir valor às mulheres numa hierarquia vertical, de a cordo com um padrão físico imposto culturalmente, ele expressa relações de poder segundo as quais as mulheres precisam competir de forma antinatural por recursos dos quais os homens se apropriaram." (p. 29)

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Resenha || Deserto e Asfalto, de Munique Duarte

Kazuá, 2018 || 120 páginas || Skoob
Sinopse: O que você faria ao notar que sua vida é uma monotonia sem fim? Para fugir dos dias sempre iguais, em “Deserto e Asfalto”, Rebeca cismou com uma garagem trancada à chave, localizada em um bairro estranho chamado Ária. Todos os dias, ela investiga um pouco mais, até “ver-se coberta de lama até o pescoço”. O intrigante Omar, vizinho da construção, não dará trégua à menina enxerida, que acabará descobrindo muitos mistérios, alguns deles bem perigosos.  

RESENHA ✍

Deserto e Asfalto é o segundo livro da escritora brasileira Munique Duarte que tenho o prazer de ler. O primeiro, O Salto do Guepardo, me encantou pela força da trama, a construção dos personagens e toda a questão psicológica que a autora desenvolveu; então, quando soube do lançamento de Deserto e Asfalto fiquei bem animada! A Munique é uma mulher incrível, talentosa e criativa, e gentilmente me enviou um exemplar (autografado!) para ser lido e resenhado aqui no blog.

Essa é uma aposta da autora mais voltada ao mistério. O livro acompanha vários personagens que possuem como ligação o bairro onde vivem: Aria. Um lugar calmo, quente e monótono, onde cada um cuida da própria vida no cenário hostil que ele proporciona. Mas esse lugar, tão tedioso para alguns, se torna a obsessão de uma dessas personagens, Rebeca, que um belo dia, em uma  viagem de ônibus, repara em uma garagem trancada com a palavra danger pichada bem em frente. A garagem, localizada em Aria, e seu misterioso conteúdo se tornaria a obsessão da estudante, que passa a visitar todos os dias aquela rua, imaginando o interior da garagem.

Nem os misteriosos assassinatos que ocorrem naquele lugar, bem em frente ao danger escrito no portão da garagem, a fazem desistir de especular e tentar desvendar o enigma que aos poucos se alimenta de sua sanidade. 
"Ária é um grande palco de vidas que se cruzam. Vidas desconhecidas uma das outras e que se revelam mais próximas do que se pode imaginar. Proximidade que demonstra ódio ou simpatia. Que pode durar para sempre ou apenas dois segundos. Tudo depende da intenção dos autores."

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Resenha || A Biblioteca Elementar, de Alberto Mussa

Record, 2018 || 192 páginas || Skoob
Sinopse: Na calada da noite, na hoje chamada Rua da Carioca, um homem de casaca, pistola na mão, ameaça outro com capa à espanhola e botas de cano longo. Atracam-se. A arma dispara. O de casaca cai ferido mortalmente. Há uma testemunha, cigana, que também tem lá suas culpas. Entre os crimes que perpassam este romance policial situado no Rio de Janeiro do século 18, apenas um é de fato relevante; apenas um resume e simboliza o livro. E, contraditoriamente, é o único crime que não acontece. Alberto Mussa opera com perícia a narrativa, conversando com o leitor e palpitando sobre os dilemas dos personagens sem abandonar o posto de narrador, ancorado em pesquisa do vocabulário da época, do contexto, das ruas do Rio, do tráfico de escravos, do contrabando de ouro e da ação inquisitorial, sempre com uma técnica primorosa.  

RESENHA ✍

Romance policial que se passa no Rio de Janeiro do século 18? Sim, por favor. A Biblioteca Elementar é o quinto livro do "Compêndio Mítico do Rio de Janeiro", iniciado com O Trono da Rainha Jinga. Autor premiado e um dos nomes mais proeminentes na nossa literatura atual, Alberto Mussa, escritor carioca, escreveu cinco tramas de mistério que se passam no Rio em cinco séculos diferentes, sendo A Biblioteca Elementar o último deles.

Neste livro somos apresentados ao Largo da Carioca, mais precisamente a Rua do Egito, que tem exatamente 19 casas e poucos habitantes. A quantidade pouca de gente não torna, de forma alguma, a rua menos movimentada. Quando um morador é atingido por uma bala e não resiste ao ferimento, muita podridão vem a tona naquela rua lamacenta.
"Amor, paixão são sentimentos abstratos, muito mais teóricos do que se costuma admitir. Poucos amam, na verdade, livremente; poucos amam além de si mesmos, ou dos limites constrangedores de suas circunstâncias."

Resenha || Menina Boa, Menina Má, de Ali Land

Record, 2018 || 376 páginas || Skoob
Sinopse: Os corações das crianças pequenas são órgãos delicados. Um começo cruel neste mundo pode moldá-los de maneiras estranhas Nome novo. Família nova. Eu. Nova. Em folha. A mãe de Annie é uma assassina em série. Um dia, Annie a denuncia para a polícia e ela é presa. Mas longe dos olhos não é longe da cabeça. Os segredos de seu passado não a deixam dormir, mesmo Annie fazendo parte agora de uma nova família e atendendo por um novo nome — Milly. Enquanto um grupo de especialistas prepara Milly para enfrentar a mãe no tribunal, ela precisa confrontar seu passado. E recomeçar. Com certeza, a partir de agora vai poder ser quem quiser... Mas a mãe de Milly é uma assassina em série. E quem sai aos seus não degenera...  

RESENHA ✍

Depois de ser testemunha de vários crimes cometidos pela própria mãe, uma assassina em série, e ter gravadas na pele marcas de agressão e tortura, Annie finalmente consegue denunciá-la para a polícia. Agora, depois de anos sofrendo os piores castigos e ter testemunhado a morte de mais de uma criança na própria casa, Annie, que agora atende pelo nome de Milly, está pronta para seguir em frente.

Milly foi adotada temporariamente por uma nova família; um psicólogo, que acompanha seu caso, sua mulher e sua filha, que odeia Milly desde o primeiro segundo, e que vai infernizá-la até que a intrusa, enfim, deixe sua casa.

Mas Milly viu o pior, foi criada no pior e viveu horrores indescritíveis. Ela é a vítima, certo? Ela precisa de cuidados, de amor e de uma família; ela guarda segredos e não vai deixar ninguém se intrometer nos seus planos.
"A sua voz, para mim, era como morfina. Contaminada, incapaz de proporcionar alívio e conforto, só medo e tentação. Ainda bem que já não ouço você nem a vejo em lugares onde sei que não pode estar..."
Ali Land cria uma personagem que desafia os leitores a duvidar de sua inocência. Ela é uma adolescente, uma garota que viveu toda sua vida esperando a próxima vítima, a próxima criança que seria levada para dentro de sua casa, e que jamais sairia de lá. Ela é também a filha da assassina; carrega seu sangue, seus genes. Ela estava lá, viu tudo, escutou tudo. E não falou toda a verdade.

O tempo todo da leitura (menos de um dia) fiquei confabulando, tentando entender essa personagem escorregadia, que a cada capítulo parecia mais próxima da explosão, mas que me surpreendia com sua frieza. Ali Land fez um retrato inteligente e detalhado de uma personagem com um pé na loucura. Foi uma leitura extremamente envolvente, viciante, e fiquei satisfeita com o que encontrei nesse Thriller psicológico, já tão bem comentado lá fora. Ali Land é um nome para se gravar.

Recomendo!

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Resenha || Tiger Lily, de Jodi Lyyn Anderson

Morro Branco, 2018 || 320 páginas || Skoob
Sinopse: Antes do coração de Peter Pan pertencer à Wendy, ele pertenceu à menina com penas de corvo nos cabelos... Tiger Lily não acreditava em histórias de amor ou finais felizes, até encontrar Peter na floresta proibida da Terra do Nunca. Diferente de todos que conhecia, ele era impulsivo, corajoso e fazia seu coração bater mais rápido. Mas como líder dos Garotos Perdidos, os mais temíveis habitantes da ilha, Peter era também uma escolha improvável para Tiger Lily. Ainda assim, ela logo se viu arriscando tudo - sua família e seu futuro - para estar com ele. Com tantas diferenças ameaçando separá-los, o amor dos dois parece condenado. Mas é a chegada de Wendy Darling que leva a menina a descobrir que os inimigos mais perigosos podem viver dentro dos corações mais leais e amorosos. Da autora best-seller do The New York Times, esse romance mágico e encantador entre uma heroína corajosa e o garoto que não queria crescer vai partir seu coração.  

RESENHA ✍

"Deixe-me contar uma coisa logo de início. Esta é uma história de amor, mas não como as que já ouviu. O menino e a menina estão longe de ser inocentes. Vidas amadas são perdidas. E o bem não vence. Em alguns lugares, existe, enfim, alguma coisa boa sobre finais. Na Terra do Nunca, esse não é o caso."

Tiger Lily já foi interpretada de diversas formas nas adaptações de Peter Pan; neste romance, Jodi Lynn Anderson vai nos apresentar a personagem sob um novo olhar.

Tiger Lily foi encontrada quando bebê e cuidada desde então pelo xamã de sua tribo, Tic Tac, que adotou a menina como filha. Tiger é uma garota estranha que nunca conseguiu se ajustar de verdade às maneiras de seus vizinhos. Quando mais jovem ela sofreu diversas ofensas e reprimendas justamente por ser diferente, mas depois de um caso especialmente assustador, quando ela foi "salva" por corvos, a fama de que Tiger tem um acordo com essas criaturas agourentas correu solta.


segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Resenha || Variações Enigma, de André Aciman

Intrínseca, 2018 || 320 páginas || Skoob
Sinopse: Os sentimentos de Paul, tão intensos na adolescência,continuam a atormentá-lo na vida adulta: no sul da Itália, ainda jovem, quando se apaixonou pelo marceneiro de seus pais; em Nova York, onde acredita estar sendo traído pela namorada e se interessa pelo parceiro de tênis nas quadras do Central Park; em um campus coberto de neve em New England. Não importa onde ou quando, suas relações são caóticas, transitórias e marcadas pela força do desejo. Variações Enigma explora a impossibilidade de restringir uma pessoa a uma única linha melódica. Dessa forma, André Aciman mapeia os recônditos da paixão e revela a impiedosa e intrincada psique humana. Assim como em Me chame pelo seu nome, sua linguagem delicada, pungente e sincera lança uma luz sensorial sobre as facetas do desejo  

RESENHA ✍

Variações Enigma é o segundo livro de André Aciman (autor de Me Chame Pelo Seu Nome) publicado no Brasil pela editora Intrínseca. Com seu livro mais famoso adaptado para o cinema e premiado com um Oscar e um BAFTA (entre outros) como melhor roteiro adaptado, alguns leitores (eu incluída) aguardaram com grande interesse mais um romance de Aciman, que chegou em nossas livrarias esse ano.

Variações é um livro dividido em cinco partes que trás a história de Paul, um homem que começa a primeira dessas cinco "novelas" relembrando o verão em que tinha doze anos, na casa de veraneio de sua família em uma ilha da Itália. Nesse verão ele conheceu Giovanni, um marceneiro contratado por seus país para a restauração de um dos móveis antigos que lhe foram deixados de herança. Giovanni, mais de dez anos mais velho que Paul, encanta o menino até a obsessão. Esse é o verão em que Paul, apenas um garoto, começa a entender mais sobre si mesmo e sobre a dinâmica de sua família.
"Sim, o passado é um país estrangeiro - falei -, mas alguns de nós são cidadãos de pleno direito, outros turistas ocasionais e outros itinerantes incertos, ansiosos por ir embora, mas sempre desejosos por voltar. Há uma vida que acontece no tempo normal e outra que a interrompe, e desaparece tão repentinamente quanto chegou. E existe a vida que talvez nuca alcancemos, mas que poderia tão facilmente ser nossa se soubéssemos como encontrá-la. Não acontece necessariamente no nosso planeta, mas é tão real quanto a que vivemos... podemos chamá-la de 'vida estelar'."