Favoritos de 2014 (em construção)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Resenha || Maria Stuart, de Stefan Zweig

José Olympio, 2018 || 364 páginas || Skoob
Sinopse: Cheio de intrigas e reviravoltas políticas, Maria Stuart é um excelente retrato biográfico. Maria Stuart é uma obra biográfica da autoria do notável escritor Stefan Zweig sobre a rainha da Escócia (1542-1587), também rainha consorte de França entre 1559-60 e pretendente ao trono inglês, enquanto descendente de Henrique VII. Condenada por traição e presa durante 22 anos por ordem de sua prima Elizabeth I, rainha de Inglaterra, Maria Stuart ascendeu ao trono ainda criança e viveu uma vida repleta de intrigas políticas, romances destrutivos e diferenças irreconciliáveis. Nesta edição com tradução de Lya Luft, Zweig traça um perfil psicológico da protagonista, transformando essa biografia em uma espécie de thriller, e apresenta Maria como uma mulher forte e determinada para sua época, que criou seu próprio destino.  

RESENHA ✍

Maria Stuart foi uma rainha de vários tronos, de personalidade forte, inquieta e fascinante, que encantou poetas por todo o mundo enquanto reinava majestosamente, e que até hoje seduz escritores e historiadores pelos mistérios que sua trajetória carrega. Maria Stuart viveu intensamente. Foi rainha da Escócia (1542-1587); rainha consorte da França (1559-60) e descendente de Henrique VII, e por isso pretendente ao trono inglês.

Só a cobertura desse período já seria suficiente para uma biografia, mas a história de Maria Stuart vai além de sua corona, reinos e tronos. Aqui, Stefan Zweig vai além e faz um retrato mais profundo de quem foi realmente essa rainha, sua trajetória, impetuosidade e os caminhos que a levaram a prisão por traição pelas mãos de sua prima, Elizabeth I, onde ficou por 22 anos antes de ser executada.
"Numa idade em que outras apenas começam a desejar, esperar e cobiçar, ela já passou por todas as possibilidades de triunfo, sem tempo nem esforço para assimilar tudo isso. É nessa precipitação de seu destino que termina também o segredo de sua inquietação e insatisfação: quem foi tão cedo a primeira em um país e um mundo jamais poderá se contentar com uma vida mais modesta. Só naturezas fracas renunciam e esquecem, as fortes não se dobram e desafiam para a luta até o destino mais forte."
Essa é uma biografia detalhada, escrita como um romance, com ares de ficção. Na sinopse é comparado com um thriller, uma vez que o autor usa de alguns artifícios do gênero para manter um suspense em sua narrativa, mesmo sendo essa biográfica.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

2019 | Livros desejados + Economizando na compra de livros na internet


Olá, leitores! Tudo bem por aí? Uma das minhas metas para 2019 é economizar mais, gastar menos e me dedicar a projetos que estão há tempo demais na gaveta. Quero que esse seja um ano de muitas leituras, mas também um ano de economia quando o assunto é comprar livros, já que preciso diminuir a pilha de não lidos da estante. A lista de desejados não para de crescer, e separei alguns títulos que desejo adquirir nos próximos meses.


           Se a rua Beale falasse As Alegrias da Maternidade Os diários de Sylvia Plath

  • Se a Rua Beale Falasse
  • As Alegrias da Maternidade
  • Os Diários de Sylvia Plath (1950 - 1962) 
Todos esses três livros são prioridade nas minhas próximas compras de 2019; e eles não são assim tão baratos... na verdade o preço desses títulos é um pouco salgado, e sei que terei que garimpar bastante e comparar os preços nas lojas antes de finalmente adquiri-los.


sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Resenha || Filha da Fortuna, de Isabel Allende

Bertrand Brasil, 2018 || 378 páginas || Skoob
Sinopse: Edição com nova capa de um dos maiores clássicos da autora do best-seller A casa dos espíritos. Abandonada ainda bebê no Chile do século XIX, Eliza Sommers foi criada por uma prestigiosa família inglesa em Valparaíso, onde se apaixonou por Joaquín Andieta, um dos empregados do tio adotivo. A descoberta de ouro na Califórnia em 1849 mobiliza metade do país, que não hesita em içar velas e correr atrás da fortuna — inclusive Joaquín, que lhe promete um casamento tão logo volte com os bolsos cheios de ouro. Mas Eliza não está disposta a esperar e parte clandestinamente para a Califórnia em busca de seu amado. Viajando escondida no porão de um veleiro na companhia de homens e mulheres atraídos pela febre do ouro, a jovem conhece Tao Chi'en, um médico chinês que a conduz por uma inesquecível jornada pelos mistérios e contradições da condição humana. Retrato vibrante de uma época marcada pela violência e pela cobiça, Filha da fortuna é um livro sobre a redescoberta do amor, da amizade, da compaixão e da coragem, e é povoado de personagens que ficarão para sempre na memória e no coração dos leitores.  

RESENHA ✍

Filha da Fortuna é um clássico da autora chilena Isabel Allende,  um dos nomes mais reconhecidos e aclamados da literatura em língua espanhola e vencedora de diversos e importantes prêmios, como Hans Christian Andersen em 2012 por sua série As Aventuras da Águia e do Jaguar, também publicada pela Bertrand Brasil. Meu primeiro contato com o trabalho da escritora foi pelo seu romance mais conhecido, A Casa dos Espíritos, que li e resenhei em 2018 (aqui). O estilo da autora é emaranhar suas narrativas a fatos históricos; suas tramas tendem a ser mais descritivas por isso.

Filha da Fortuna foi uma leitura extraordinária. Comecei o livro com poucas expectativas, confesso, mas fui arrebatada e surpreendida pelo que encontrei aqui. Uma trama também repleta de detalhes e fatos históricos sobre o Chile e a Califórnia (como também outros lugares, mas com enfoque nesses dois) de 1843 a 1853.

Aqui encontramos não só uma aventura com personagens intensos, grandes amores e perdas, mas mergulhamos em uma história que, a cada capítulo, cresce e se transforma, apresentando personagens e suas histórias, trágicas e infelizes; sobre romances interrompidos, improváveis e, acima de tudo, transformadores.
"Aquilo que esquecemos é como se não houvesse acontecido, mas muitas eram as suas lembranças, reais ou ilusórias, e assim, para ela, foi como viver duas vezes."

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Resenha || Moxie, de Jennifer Mathieu

Verus, 2018 || 288 páginas || Skoob
Sinopse: Vivian Carter está cansada. Cansada da direção da escola, que nunca acha que os jogadores do time de futebol estão errados. Cansada das regras de vestuário machistas, do assédio nos corredores e dos comentários babacas dos caras durante a aula. Mas, acima de tudo, Viv está cansada de sempre seguir as regras. A mãe de Viv era dura na queda, integrante das Riot Grrrls nos anos 90. Inspirada por essas histórias, Viv pega uma página do passado da mãe e cria um fanzine feminista que distribui anonimamente para as colegas da escola. É só um jeito de desabafar, mas as garotas reagem. Logo Viv está fazendo amizade com meninas com quem nunca imaginou se relacionar. E então ela percebe que o que começou não é nada menos que uma revolução feminista no colégio.  

RESENHA ✍

Vivian Carter está cansada do sistema injusto em sua escola; das mesmas ofensas gratuitas que os "valentões" fazem contra as garotas. Ela está cansada há muito tempo, mas não sabe o que fazer. Enquanto isso, ela continua ouvindo as grosserias, os comentários machistas e a violência que é completamente ignorada pelo diretor. Afinal, é uma cidade pequena, e ali o que reina mesmo é o futebol, os jogadores e  a vontade dos mesmos.

Inspirada pela caixa que encontra com memórias da juventude rebelde da mãe, que foi integrante do grupo Riot Grrrls, grupo feminista que nunca deixaria absurdos assim passarem sem fazer algo para mudar, Viv resolve fazer alguma coisa, e em anonimato ela cria uma fanzine (jornais de pequena circulação), e aí surge a MOXIE, onde ela vai expor os problemas da escola e incentivar as outras garotas a se unir contra as injustiças e o assédio no lugar.

Não demora muito para que a Moxie comece a gerar burburinho na escola, e de repente Viv está fazendo amizades com meninas que nunca falou antes, descobrindo muito sobre o movimento feminista e as personalidades mulheres que lutam e lutaram tanto pela causa. Logo, as meninas estão se unindo, fazendo sua vozes serem ouvidas, mesmo quando os líderes do colégio tentam abafar cada caso, para não prejudicar os garotos. Elas estão cansadas do silêncio. As Moxie jamais abaixarão a cabeça novamente, gostem eles ou não.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Resenha || As Coisas, de Tobias Carvalho

Editora Record, 2018 || 144 páginas || Skoob
Sinopse: Sensível e implacável por trás de uma escrita limpa e simples, As Coisas traz uma costura de vivências humanas sob a ótica de um jovem homossexual. O personagem constante dessas histórias trabalha, viaja, estuda, cruza ruas de metrópoles agitadas, passa horas em aplicativos de encontros sexuais. Não há maquiagens para a solidão, nem disfarce para o sexo. Ele sente, ele quer, ele ganha e perde, transformando-se de história em história e construindo um arco narrativo que alicerça todo o livro. Vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2018, As Coisas é um panorama de vazios. Com histórias que vão da fugacidade das relações gays às barreiras experimentadas pela sexualidade, o protagonista frequente destes contos vai em uma jornada em busca de coisas que ele mesmo não pode definir: é onde reside a força do promissor livro de estreia de Tobias Carvalho.  

RESENHA ✍

As Coisas, livro de estréia de Tobias Carvalho, foi vencedor do prêmio Sesc de Literatura 2018 na categoria contos. Não precisou muito além da informação sobre o conteúdo do livro (gay, atual e realista) para me interessar. Assim que bati o olho da sinopse, sabia que iria ler; e o Tobias me surpreendeu.
“O ruim e o bom do amor é que ele inunda. Foram meses de água caindo por todos os lados.”
São 23 contos curtos que nos apresenta um personagem em situações bem reais, explorando as possibilidades de um encontro marcado em aplicativo; relações baseadas em sexo, muito sexo, pouco diálogo, pouca emoção por trás de tudo, mas sempre intenso. Intensa também é a solidão do personagem, suas angústias, os fantasmas do passado que o perseguem, a confiança abalada, o vazio dos dias monocromáticos, das relações fugazes, do preconceito, da falta de confiança, do querer sair do próprio corpo.

As Coisas é um livro forte, que toca na ferida, deixa marcas, nos faz pensar, refletir, tentar entender, mergulhar a fundo no personagem, nas suas dúvidas, seus anseios e sua personalidade. E em suas aventuras sexuais, claro.

São contos intensos, a escrita crua. Livro acessível, bonito e necessário. Com certeza uma leitura para a qual voltarei mais vezes, e também um título que irei emprestar e incentivar a leitura.

Representatividade na literatura importa. Livros como As Coisas ganhando prêmios no nosso país é importante. Deveria importar mais. Tobias Carvalho estreou com uma obra impactante, e seu talento ficou claro. Já quero ler mais dele. Esse é um livro no qual muita gente vai se ver representado, não tão sozinho, e quem sabe inspira algumas pessoas a se libertar de preconceitos, da ignorância... Leiam! 🌈

TOP 5 LIVROS DE 2018 | As Melhores Leituras do Ano


Olá, leitores! Tudo bem por aí? 2018 finalmente acabou e chegou aquele momento em que mostro as melhores leituras que fiz; e se tem uma coisa que eu fiz em 2018 foi ler. Li 119 livros, e agora estou frente a uma missão bem complicada: escolher os cinco melhores. Mas chega de ladainha e vamos começar para o post não ficar muito longo.


A Quinta Estação, de N.K. Jemisin

A Quinta Estação
Não seria meu top 10 se esse livro não estivesse ocupando o primeiro lugar. A Quinta Estação (fantasia científica espetacular) foi o melhor livro que li em 2018, e a melhor fantasia/ficção científica que leio em anos. N. K. Jemisin é incrível. Sua escrita envolve o leitor, nos faz imaginar cada detalhe dessa trama tão rica e original; nos emociona com o drama das personagens. É um livro rico, completamente apaixonante e com um universo (A Quietude) gigantesco a ser explorado ainda -- felizmente é uma trilogia. Leiam!

Mamãe & Eu & Mamãe, de Maya Angelou

Mamãe & Eu & Mamãe
Não sei mais o que escrever sobre essa obra para convencer a todos a fazer a leitura. Esse foi meu primeiro contato com a Maya Angelou, e ler essa autobiografia me deu uma noção de sua grandiosidade como mulher, escritora e ativista. Sabe aquele livro que te segue muito depois de concluir a leitura? Foi o que aconteceu. Até hoje esse livro me persegue, me faz querer voltar pra ele, pra história bonita e dilacerante de Maya; como uma pessoa pode sofrer tanto, perder tanto, e ter forças para se reerguer? Inspiração!

A Parábola do Semeador, de Octavia E. Butler

A Parábola do Semeador
Esse aqui foi o segundo livro que li da magnífica Octavia E. Butler. Outra escritora que não tenho palavras para tentar descrever. Que mulher genial! Suas obras são sempre agridoces; nos fazem sofrer, sorrir, sonhar com um mundo melhor, imaginar o pior dos mundos... A Parábola do Semeador mexeu demais comigo. Imaginar esse mundo distópico me deixou um pouco doente. E saber que estamos tão perto... Leiam Octavia!


Fique Comigo, de Ayobami Adebayo

Fique Comigo
 | Resenha |
Outro livro que anda comigo muito depois de o ter lido... Fique Comigo é uma história inteligente, bem escrita e totalmente cativante - e igualmente dolorosa. Ler sobre as injustiças, o desespero da protagonista, suas perdas, seu luto, sua dor profunda... Livros sobre relações familiares, especialmente a maternidade, mexem comigo. Muito. E não foi diferente com esse aqui. Foi fisicamente doloroso. Me senti na pele Yejide. Meus medos, expostos. A dor dela foi a minha enquanto eu lia; e ficava pensando: como ela suportou? É além de tudo um livro sobre a força da mulher para se reerguer. Maya Angelou e Yejide não são muito diferentes. A força delas me inspira. Me dá forças também.

Um Amor Perdido, de Alyson Richman

Um Amor Perdido
E eis aqui outro livro que me emocionou: Um Amor Perdido. Já li por aí que livro bom mesmo é aquele que traz alguma reação física. Concordo. O livro tem que ser muito bom, ou muito ruim, pra fazer alguém chorar. Mas aí Alyson vai falar sobre um casal apaixonado separado pelos horrores da Segunda Guerra. Sobre memória, amor e despedidas. É um livro lindo, completamente apaixonante, e mereceu um lugar aqui nesse top, pois definitivamente marcou meu ano.


Outros muitos livros marcaram meu ano e fizeram 2018 mais suportável. Pensando nisso, para não deixá-los de fora, faço algumas menções honrosas:

A Nuvem A Página em Chamas Em Chamas O Portão do Obelisco

2018 foi provavelmente o ano em que mais li sequências de séries e trilogias; e favoritei vários!
M
A Nuvem - esse é o segundo livro da nova série (?) do incrível Neal Shusterman, autor também de um dos meus livros favoritos, Fragmentados. A Nuvem, sequencia de O Ceifador, me surpreendeu demais! Sempre fico com medo de ler segundo livro de série pois foram muitos os que odiei, mas esse aqui foi muito bem elaborado. Cheio de ação, surpresas e mistérios, além de novos personagens e mais destaque a personagens que já conhecemos e amamos. E o final... Não poderia ter sido mais arrasador. Até agora não acredito, e espero que o terceiro livro não demore a sair.

A Página em Chamas | Resenha | - esse é o terceiro livro da série A Biblioteca Invisível, e quem acompanha o blog sabe que no momento é uma das minhas favoritas. Fiquei muito feliz ao receber esse livro, e mais ainda lendo a obra e reencontrando os personagens que fazem a série tão original e especial para mim. Genevieve não decepciona com esse livro e monta uma trama extremamente inteligente e empolgante, da primeira a última página.

Em Chamas - acho que esse aqui a maioria de vocês já conhece, e muitos já leram. Em Chamas é o segundo volume da trilogia Jogos Vorazes, que finalmente tomei vergonha na cara e concluí no último ano. Como já disse aqui, tenho medo de segundo livro em séries, mas essa foi outra surpresa incrível e muito bem vinda. Se eu já tinha gostado do primeiro, esse aqui superou as expectativas. Em Chamas é exatamente seu título. Pega fogo do inicio ao fim.

O Portão do Obelisco - essa é a sequencia de A Quinta Estação (primeiro livro do top 5), também o segundo livro de uma trilogia... e outra surpresa. Não esperava nada menos da autora, para falar a verdade. Lendo o primeiro livro (e relendo depois) já sabia que ela tinha criatividade de sobra para escrever mais dez livros nesse universo. O Portão do Obelisco começa um pouco lento, misterioso, tem um desenvolvimento que pede ao leitor uma atenção maior para não deixar escapar detalhes importantes e decisivos. Mas depois... nada segura nossas personagens (Essun eu te amo), e a orogenia corre solta aqui.


Apenas um entre todos esses livros foi escrito por um homem. Todos os outros, autoras mulheres. Minha metade de ler mais mulheres em 2018 foi um sucesso, e esse post é uma prova disso. Mulheres incríveis em gêneros antes dominados pelos homens. Mulheres na ficção científica, na fantasia, na distopia... Mulheres inteligentes, fortes e implacáveis, vencedoras de prêmios importantíssimos, e nada pode detê-las. Leiam esses livros, leiam mais e leiam mulheres <3

Agora me contem, quais seus favoritos de 2018? Já leu algum desses?

Resenha || Máquinas Mortais, de Philip Reeve

HarperCollins Brasil, 2018 || 320 páginas || Skoob
Sinopse: Neste mundo criado por Philip Reeve, a humanidade quase teve um fim em um conflito nuclear e biológico chamado de Guerra dos Sessenta Minutos. O mundo virou um descampado, a tecnologia foi praticamente extinta e todos os esforços humanos se voltaram para um único objetivo: fazer suas cidades sobreviverem. Para isso, elas precisam se mover, se tornando Cidades de Tração, para se afastar da radioatividade e doenças. Londres é uma grande cidade e está sempre em busca de novas cidades para se alimentar, como dita o Darwinismo Municipal: metrópoles consomem as cidades menores, que consomem vilarejos e assim por diante... No meio de um ataque de Londres à uma cidadezinha desesperada, Hester Shaw, uma menina com uma cicatriz horrível, tenta matar Thaddeus Valentine, o maior arqueólogo da metrópole. Valentine é salvo por Tom Natsworthy, um historiador aprendiz de terceira classe. De repente, ambos acabam caindo para fora da Cidade de Tração. Agora perdidos no vasto Campo de Caça, sem uma cidade para protegê-los, os dois precisam unir forças para alcançar Londres e sobreviver a um caminho cheio de saqueadores, piratas e outras Cidades de Tração. Além disso, ao que tudo indica Londres está planejando um ato desumano, envolvendo uma arma não usada na Guerra dos Sessenta Minutos, que pode dar fim ao pouco que restou do planeta...  


RESENHA ✍

Máquinas Mortais é o primeiro volume de uma série pós-apocalíptica onde somos apresentados ao nosso mundo, ou o que sobrou dele, após a Guerra dos Sessenta Minutos, que mudou completamente a forma como as cidades interagem. Aqui, Londres é uma das Cidades Tração, comunidades inteiras que vivem em movimento em grandes e monstruosos veículos que perseguem uns aos outros para continuar na estrada ou, no caso da Londres que aqui conhecemos – ter ainda mais poder. 

Nela vive Tom, um aprendiz de terceira classe do Museu de Londres que após uma briga acaba indo trabalhar nas Entranhas, onde todo tipo de lixo (e possíveis relíquias) fedorento é armazenado. Lá ele encontra Valentine, um Historiador de grande fama que é sua maior inspiração. Ele só não contava com a descoberta de um segredo terrível, o encontro com Hester Shaw, garota perigosa de rosto desfigurado, e o fato que, de uma hora para outra, é chutado para o Exterior, todo aquele mundo silencioso e sem movimento... Seu maior pesadelo. E onde a maior aventura de sua vida tem início.
"Era natural que cidades comessem vilas, assim como as vilas comiam vilarejos, e vilarejos pegavam pequenos assentamentos. Isso era Darwinismo Municipal, e esse era o jeito que o mundo funcionava há mil anos."
Leitura empolgante e totalmente viciante. Assim que comecei, ficou difícil simplesmente largar e, se tem uma coisa que esse livro não é, é sem movimento. Philip Reeve cria uma trama repleta de aventuras perigosas, cenários ricos em detalhes e situações impossíveis das quais os nossos protagonistas precisam sair vivos. Tom e Hester são dois personagens bem interessantes, e foi incrível acompanhar o desenvolvimento da relação de amizade que surge entre eles. 

Esse foi um livro de distopia que realmente me tirou o fôlego. Apesar de ter sido escrito para um público mais jovem, e sua linguagem mostra bem isso, ele me surpreendeu pelo universo genial que Reeve criou. É gigantesco, e é absurdo o quão grande ele ainda pode ficar nos próximos volumes. São tantas possibilidades para esse universo, essa trama e seus personagens! Espero conseguir ler a sequência muito em breve. Ah, toda essa história incrível de máquinas mortais, Cidades Tração e sistemas defeituosos estará ainda esse mês nos cinemas aqui no Brasil! 

Se você gosta do gênero, não pode perder esse aqui! 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Resenha || A Guardiã dos Vazios, de Victoria Schwab

Bertrand Brasil, 2018 || 322 páginas || Skoob | Resenha do primeiro volume
Sinopse: Um mundo rico e criativo, repleto de segredos e escolhas difíceis, em que amor e perda parecem ser duas faces da mesma moeda. O segundo livro da série A Guardiã de Histórias Mackenzie Bishop é uma das Guardiãs do Arquivo, um domínio secreto onde descansam as Histórias dos mortos ― registros de sua vida armazenados em corpos. Se uma História desperta, ela pode enlouquecer e tentar fugir ― e cabe a Mac garantir que cada uma seja devolvida à sua prateleira. No entanto, Mackenzie não se sente mais tão apta para o trabalho. Os acontecimentos do verão passado a assombram, e, quando os pesadelos que a perseguem começam a se insinuar mesmo durante o dia, ela sabe que algo está errado. Estaria lentamente perdendo a sanidade ou será que algo ainda mais sinistro a está perseguindo? Enquanto isso, pessoas começam a desaparecer sem deixar vestígios, e, quando Mackenzie acaba tornando-se a principal suspeita, ela se vê na obrigação de descobrir o verdadeiro culpado. Caso contrário, ela corre o risco de perder tudo ― seu papel de Guardiã, suas memórias… e até sua vida..

RESENHA ✍

A Guardiã dos Vazios é a sequencia do livro A Guardiã de Histórias, série juvenil sobrenatural escrita pela autora premiada Victoria Schwab. Li o primeiro livro em 2016, ano em que foi lançado por aqui, e como gostei muito da leitura aguardei ansiosa pela continuação, que só chegou aqui esse ano (2018). Assim que ele chegou por aqui fui correndo reler o primeiro para refrescar minha memória, e logo segui para o segundo, empolgada para continuar acompanhando os personagens e a trama que tanto me cativaram.

Depois dos eventos do primeiro livro, acompanhamos nossa protagonista Mackenzie Bishop fazendo o possível para continuar depois dos traumas que a abalaram profundamente, física e psicologicamente, colocando a adolescente no meio de uma batalha mortal entre Histórias desgarradas e Guardiões.

Não posso entrar em muitos detalhes sobre a trama, uma vez que acabaria dando algum spoiler sobre os livros, o que não é legal. Uma das coisas que me incomodaram na primeira leitura de A Guardiã de Histórias foi a personagem principal, ou melhor, seu desenvolvimento lento na narrativa. Na releitura eu não tive tantos problemas, inclusive gostei ainda mais do livro, o que me surpreendeu. Nessa sequência, encontramos a personagem passando por diversos problemas, entre eles a incapacidade de dormir sem ser perseguida por pesadelos cada vez piores, e mais reais que nunca. Ou não seriam pesadelos? Talvez os fantasmas que a perseguiram tanto não estejam tão bem enterrados, como imaginava. Eles continuam perseguindo-a, estudando seus passos, acompanhando cada decisão, cada escolha... Até onde ela pode ir com isso? Sua vida está de cabeça para baixo, e para piorar o verão acabou, o que significa voltar a escola... voltar a fingir ser normal, quando tudo o que ela quer é sumir.


Aqui também temos um pouco mais de um personagem extremamente cativante: Wesley. Ele também foi um personagem que amadureceu muito no decorrer da trama e me surpreendeu bastante. A dinâmica entre os dois foi um dos pontos altos do livro, e confesso que shipei muito.

Esse livro tem uma atmosfera mais sombria, gótica, enquanto acompanhamos Mack em suas tentativas de parecer uma adolescente normal quando na verdade é uma Guardiã e precisa diariamente deter Histórias que acordam de suas estantes e vagam pelos estreitos. Para explicar melhor essa parte, vou deixar um trecho da minha resenha anterior:
Neste livro somos apresentados a um mundo onde os mortos, como os livros, são guardados em bibliotecas. Não seus corpos verdadeiros, mas uma versão deles que comporta suas Histórias, suas vidas inteiras. Algumas Histórias acordam e ficam nos Estreitos, corredores cheios de portas que apenas um Guardião pode abrir e despachar os desgarrados antes que se tornem fortes o suficiente para escapar para o exterior, o mundo "real".
Essa continuação tem um ritmo mais lento até chegar aos últimos capítulos, que li de um fôlego só. Dizem que haverá ainda um terceiro livro, e estou torcendo para que a autora realmente estenda essa história mais um pouquinho, pois ficaram algumas questões em aberto. No mais, é uma sequência importante e muito válida se você leu e gostou do primeiro. Recomendo!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Resenha || À Beira da Loucura, de B.A. Paris

Editora Record, 2018 || 350 páginas || Skoob
Sinopse: Cass está sendo consumida pela culpa desde a noite em que viu uma mulher dentro de um carro parado na estrada perto de sua casa, durante uma terrível tempestade, e tomou a decisão de não sair para ajudá-la. No dia seguinte, aquela mesma mulher foi encontrada morta naquele exato lugar. Cass tenta se convencer de que não havia nada que pudesse ter feito. E, talvez, se tivesse ido ajudá-la, poderia ela mesma estar morta agora. Mas nada disso é o suficiente para aplacar a angústia que sente, principalmente considerando o fato de que o assassinato aconteceu ali do lado, bem perto de sua casa isolada ― e que o assassino ainda está à solta. Então, depois da tragédia, Cass começa a ter lapsos de memória: não consegue se lembrar de ter encomendado um alarme para casa, não sabe onde deixou o carro, muito menos por que teria comprado um carrinho de bebê quando nem filhos tem. A única coisa que ela não consegue esquecer é Jane, a mulher que poderia ter salvado, e a culpa terrível que a corrói por dentro. Tampouco consegue esquecer as ligações silenciosas que vem recebendo, nem a sensação de que está sendo observada. Seria possível que o assassino a tivesse visto, parada no acostamento, enquanto decidia se ajudaria a mulher ou não? Será que ele está tentando assustá-la para que ela não conte nada à polícia? Mas como alguém poderia acreditar em seus temores quando nem mesmo ela é capaz de saber o que é verdade e o que é mentira? E como Cass pode acreditar em si mesma quando tudo ao seu redor parece provar que está ficando louca?  

RESENHA ✍

À Beira da Loucura é o segundo livro de B.A. Paris publicado no Brasil pela Ed. Record. O primeiro, Entre Quatro Paredes, já foi resenhado por aqui. Meu primeiro contato com a autora foi ótimo e eu aproveitei bastante a leitura do thriller, que li de um só fôlego. A leitura rápida e envolvente se repete com esse segundo livro, que fui animada ler assim que chegou por aqui.

Nele conhecemos Cass, que uma noite de tempestade resolve cortar caminho por uma trilha escura, mas de fácil acesso para sua casa, apesar dos pedidos preocupados do marido, Matthew, para que não pegue o atalho. Ignorando sua própria preocupação, ela foge da tempestade por ali, onde se depara com um carro parado no meio do caminho estreito; dentro, uma mulher aparentemente alheia ao carro de Cass e ao fato de ela ter parado ali. Como a mulher não parece precisar de ajuda, e temendo pela própria segurança, ela vai embora.

No dia seguinte, uma notícia terrível chega até ela: o corpo de uma mulher é encontrado dentro de um carro estacionado perto de sua casa, e o assassino está a solta. A notícia a abala profundamente, e  Cass começa a questionar suas ações naquela noite. Ela devia ter saído do carro e oferecido ajuda, ou ligado para a polícia, mas não fez nada pela pobre mulher, e agora a culpa a perseguiria.

Após o ocorrido, ela começa a ter lapsos de memória, e ela começa a temer acabar como sua mãe, com demência, esquecendo de tudo e todos e passando seus últimos dias dependendo completamente de outras pessoas. Além dos lapsos, Cass começa a receber estranhas ligações em casa, silenciosas e anônimas. Alguém parece saber exatamente o que aconteceu, e agora está atrás dela. Ou seria tudo fruto de sua mente cada vez mais debilitada?


À Beira da Loucura foi uma leitura que me envolveu rapidamente, do primeiro ao último capítulo. Como boa fã de thrillers psicológicos, fiquei animada quando soube do lançamento, afinal gostei muito do primeiro livro da B.A. A narrativa em primeira pessoa prende o leitor, enquanto nossa narradora nada confiável tem crises cada vez mais frequentes e é quase totalmente consumida pelo pânico e pela culpa, depois de ser a última a ver Jane, a mulher do carro, com vida, e não ter feito nada para ajudá-la. O leitor confronta a questão: o que você teria feito, no lugar de Cass? Teria parado, no meio da tempestade? Teria ligado para a polícia, ou chamado por ajuda? E se fosse uma emboscada?

O final foi bem previsível para mim, e estranhamente parecido com o final de Entre Quatro Paredes, apesar de serem duas tramas distintas. Matei a charada muito antes da personagem, o que acabou desanimando um pouco, apesar de o ritmo no final do livro ser bem intenso, com o fôlego renovado de todas as revelações.

É um thriller que recomendo, principalmente se você está começando no gênero e ainda não conhece a autora. Se já leu ou ficou com vontade, me conta aqui nos comentários :)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Resenha || O Fascismo Eterno, de Umberto Eco

Editora Record, 2018 || 64 páginas || Skoob
Sinopse: Publicado pela primeira vez em 1997, como parte do livro Cinco escritos morais, O fascismo eterno chega aos leitores em nova edição no momento de ascensão mundial do flerte com o fascismo. Segundo Umberto Eco, entre as possíveis características do Ur-Fascismo, o fascismo eterno do título, estão o medo do diferente, a oposição à análise crítica, o machismo, a repressão e o controle da sexualidade, a exaltação de um líder, um constante estado de ameaça, entre outros. O fascismo, denuncia o autor, longe de ser apenas um momento histórico vivo na Itália, na Europa (e no Brasil) do século XX, é uma ameaça constante da nossa sociedade.  

RESENHA ✍

O Fascismo Eterno é um discurso do escritor italiano Umberto Eco publicado pela primeira vez em 1997, no livro "Cinco Escritos Morais", e nasceu do resultado de uma conferência que o mesmo realizou dois anos antes na Columbia University. Como italiano, tendo memórias sobre a Segunda Guerra e as ocupações de militares em seu país; e como italiano e bom conhecedor da história da Itália e o regime Mussolini, Umberto Eco explica nesse texto curto um pouco sobre como se deu a ditadura fascista em seu país e no mundo.

O fascismo, explica ele, tem algumas características que o definem na teoria, e que podem surgir juntos ou separados, também podendo tomar outras formas, usar outras máscaras e outros discursos. Citando o autor: "O termo 'fascismo' adapta-se a tudo porque é possível eliminar de um regime fascista um ou mais aspectos, e ele continuará sempre a ser reconhecido como fascista".

No nosso cenário atual, e relembrando a história de nosso país, líderes e presidentes, é importantíssimo ter conhecimento (e democratizar o acesso ao conhecimento) sobre o que faz o fascismo, os discursos que o acompanha e as personalidades daqueles que o perpetuam. É importante conseguir identificá-lo, para lutar contra ele.
"Tinham me dito que a guerra permanente era a condição normal de um jovem italiano".

Esse é um livro bem curto, com diagramação espaçosa e confortável para a leitura, que foi rápida. "O Fascismo Eterno" é bem interessante, mas não muito acessível considerando a escrita do autor, que pode não ser clara para todos. Sendo um livro de 64 páginas e resultado de um discurso, é de se esperar que o conteúdo seja reduzido, não tão detalhado.
"Estamos aqui para recordar o que aconteceu e para declarar solenemente que 'eles' não podem repetir o que fizeram. Mas quem são 'eles'?"
No mais, recomendo a leitura ;)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Resenha || O Rei das Cinzas, de Raymond E. Feist

HarperCollins Brasil, 2018 || 512 páginas || Skoob
Sinopse: O mundo de Garn já foi composto de cinco grandes reinos, até que o rei da Itrácia foi derrotado e todos os membros de sua família foram executados por Lodavico, o implacável rei de Sandura, um homem com ambições de dominar o mundo. A família real de Itrácia eram os lendários Jubardentes, e representavam um grande perigo para os outros reis. Agora restam quatro grandes reinos, que estão à beira de uma guerra. Mas há rumores de que o filho recém-nascido do último rei de Itrácia sobreviveu, levado durante a batalha e acolhido pelo Quelli Nacosti, uma sociedade secreta cujos membros são treinados para infiltrar e espionar os ricos e poderosos de Garn. Com medo de isso ser verdade, e a criança crescer com um coração cheio de desejo de vingança, os quatro reis oferecem uma enorme recompensa pela cabeça da criança. Na pequena vila de Oncon, Declan é um aprendiz de ferreiro, aprendendo os segredos da produção do fabuloso aço do rei. Oncon está situada na Covenant, uma região neutra entre dois reinos. Desde que a área de Covenant foi declarada, a região existiu em paz, até a violência explodir com traficantes de escravos indo até a vila capturar jovens homens para serem soldados em Sandura. Declan precisa escapar, para levar seu conhecimento precioso para o barão Daylon Dumarch, comandante de Marquensas, talvez o único homem que pode derrotar Lodavico de Sandura, que agora se aliou à fanática Igreja do Deus Único e está marchando pelo continente, impondo sua forma extrema de religião sobre a população e queimando descrentes pelo caminho. 

RESENHA ✍

Garn é um mundo governado por cinco reinos, mas não por muito tempo. Uma traição de quatro deles, liderada por Lodavico, regente de Sandura, dá início a uma sangrenta disputa pelo poder de Itrácia e sob as alianças do reino. A família real de Itrácia, conhecida como Jubardentes pelo tom único de vermelho de seus cabelos, é dizimada na guerra. Ou é isso que pensa o regente louco. Um bebê ruivo sobreviveu ao massacre e foi entregue por mãos misteriosas aos cuidados de Daylon Dumarch, barão de Marquensas e um os traidores do trono, que em um ímpeto resolve entregar a criança aos cuidados dos mestres da Nação Invisível, um lugar muito distante onde ele seria criado e treinado para se tornar guerreiro, e ali ele ficaria até seu décimo sétimo aniversário.

O jovem Hatu, não conhece a verdadeira identidade, mas sente dentro de si um fogo alimentado pela fúria constante, que tenta esconder sob vários treinamentos de controle e com a ajuda dos melhores amigos Donte e Hava.
“Rei das cinzas, mas rei mesmo assim.”
Do outro lado do mar, Declan é um jovem ferreiro que também desconhece suas origens, mas trabalha incansavelmente para construir uma vida digna e sair de Oncon, a vila onde foi criado como um filho pelo mestre-ferreiro Edvalt, que o ensinou tudo sobre o ofício.

O guerreiro e o mestre-ferreiro de armas têm seus caminhos entrelaçados no meio de uma perseguição imbatível onde vingança, política, poder e traição permeiam cada diálogo.

Este é um livro de fantasia épica recheado de boas intrigas políticas no vasto mundo fictício de Garn. É o primeiro da saga dos Jubardentes e um volume mais introdutório, porém não menos instigante. Apesar de suas 500 páginas a trama tem um ótimo ritmo, é envolvente e alimenta nossa curiosidade sobre os capítulos seguintes. Em quem confiar?

Esperava gostar da leitura, mas não imaginei me encontrar tão envolvida com essa narrativa e seus diversos e complexos personagens. Foi uma grata surpresa! Aos poucos o autor também introduz uma dose de magia que tornou o livro ainda mais difícil de largar, e sobre a qual espero mais detalhes nos próximos volumes da saga.

Leitura recomendada, principalmente aos fãs de fantasia épica, mundos novos, batalhas sangrentas e intrigas constantes. Se você gostou de A Guerra dos Tronos ou Mago - Aprendiz dê uma chance também à saga dos Jubardentes :)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Resenha || Entre as Mãos, de Juliana Leite

Editora Record, 2018 || 256 páginas || Skoob
Sinopse: Vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2018 na categoria Romance. Conduzido com precisão e movido por uma poderosa força que impulsiona todo o relato, Entre as mãos gira em torno de Magdalena, uma tecelã que, depois de um grave acidente, precisa retomar seus dias, reaprender a falar e levar consigo dolorosas cicatrizes — não apenas no corpo. Com personagens e tempos narrativos que se atravessam como fios trançados, este romance tem a marca de peça única, debruçando-se sobre questões como sobrevivência e ancestralidade, mas também amor e mistério a partir do corpo, do trabalho e dos gestos da protagonista, em duas fases de sua vida. 

RESENHA ✍

Entre as Mãos é o romance de estréia da escritora carioca Juliana Leite, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura de 2018. Esse é um livro de narrativa não linear, formado como que por retalhos; uma colcha intrincada, feita a mão, formada por fragmentos de memória, lembranças, nem sempre confiáveis.

Aqui conhecemos a personagem Magdalena através de fragmentos de memória. Magdalena é uma tecelã que vende tapetes na feira, de vida simples; indo trabalhar, sofre um acidente no trânsito e tem o corpo dilacerado. Sua mão queima, seu útero é retirado, suas pernas e braços custam a funcionar, sua fala é prejudicada e também seu trabalho, o de tecer linhas e mais linhas com as mãos na construção de lindos tapetes... Agora, ela volta a morar com as três tias que a criaram para se recuperar do acidente. As quatro dividem um apartamento pequeno, sobrevivendo com pouco, mas com todo cuidado que uma pode dar a outra.
"Está aí algo que ainda tenho de você em mim: a habilidade de tomar as linhas soltas, as partes inexplicadas que sempre existem, dando a elas um encaixe, um lugar possível e modesto no conjunto de uma trama." p. 133
Essa foi uma trama que me surpreendeu bastante, tanto pela narrativa mais intrincada quando pela história em si e seus personagens. Foi uma leitura que me deu um nó na cabeça, e até agora estou tentando entender de fato o que aconteceu.


Não foi uma leitura das mais fáceis; fiz ela quase toda com a testa franzida, a cara de quem se esforça para não deixar escapar o fio que une os pedaços da trama. Mas isso só deixou a leitura mais interessante, imprevisível. A autora podia seguir pelas mais diversas direções, ela escreveu de forma a ter essa liberdade, a liberdade pra mudar a história, os personagens, a forma narrativa. Foi bem intenso. A escrita da Juliana é muito bonita, forte, e me encantou desde a primeira página.
"Você planejava as entradas dos parágrafos, a numeração dos capítulos, cuidando para que as cortinas e as cenas das cortinas, os corpos e as cenas dos corpos os lábios e os lábios em movimento para que tudo funcionasse. Você achou aquilo parecido com fazer tapetes. Tramar e escrever, coisas que se fazem com as mãos." p. 149
 Certamente uma leitura que recomendo, e espero ter a oportunidade de continuar acompanhando e prestigiando o incrível trabalho da Juliana :)