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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Resenha || Força é a Nova Beleza, de Kate T. Parker

Editora Rosa dos Tempos, 2018 || 256 páginas || Skoob
Sinopse: Nas 175 fotos Força é a nova beleza, você vai ver meninas empoderadas, engraçadas, aventureiras, assertivas, barulhentas e criativas. Garotas que amam esportes e garotas que amam artes. Guerreiras. Sobreviventes. Garotas com os pés calejados em sapatilhas de balé e garotas usando camisas de futebol. Garotas desafiadoras e orgulhosas, mostrando suas cicatrizes, cabelos bagunçados e pés encardidos. Garotas aconchegadas no sofá, brincando ao ar livre, reivindicando sua independência diante das adversidades, cantando e tocando instrumentos. Este livro captura sua essência em palavras e sorrisos, com fotografias que inspiram — e servem como prova da máxima de que o que somos por dentro é o que conta. 

RESENHA ✍

Não é incomum encontrarmos imagens de garotas todas produzidas, participantes de concurso de beleza mirim, modelos de maquiagem, de roupas de grife, de salto alto e parecendo bem mais velhas do que realmente são. A industria da beleza não polpa as crianças, e hoje em dia é algo mais escrachado; a quantidade de denuncias, de repúdio, não vencem o sistema, que propaga a imagem de meninas agindo como adultas. Até no dia a dia, nas rotinas familiares, vemos isso ser aplicado de forma mais sutil: as garotas precisam se sentar "como mocinhas", estar com os cabelos sempre bem penteados, sempre limpas e com roupas passadas; pés limpos, calçadas, bem vestidas, sempre rosa.

Eu lembro que já ouvi tudo isso, desde bem pequena sempre ouvia como deveria me comportar, como deveria me vestir ou usar meu cabelo. Aos sete anos, vestidos rodados eram meu pesadelo, e eu chorava para não ter que usá-los, mas tinha que usar mesmo assim. Hoje vejo isso sendo imposto ainda na minha família, a questão da cor, dos modos... Mas só com as meninas. Sempre com as meninas.
"Todos nós levamos rasteiras da vida. Caímos. Falhamos. No trabalho, nas brincadeiras, na escola. (...) Independente disso, a mensagem é a mesma: em alguns momentos, a vida será difícil. (...) Uma escolha errada é apenas uma escolha errada. Uma oportunidade perdida representa que outras virão. A vida derruba essas meninas, mas elas não ficam no chão - elas nunca ficam no chão." p. 73
Neste livro a fotógrafa Kate T. Parker celebra a arte de ser livre, a beleza de ser quem você é, de fazer o que ama e se deliciar com isso. São 175 fotos que mostram garotas sendo corajosas, brincando, sujas de lama, praticando esportes, com cabelos emaranhados e roupas encardidas, rasgadas na euforia das brincadeiras ao ar livre; elas tocam instrumentos, cantam, descobrem sua voz, sua força, sua garra. Elas querem mudar o mundo, ser reconhecidas no mundo, e encantam com suas palavras doces e sinceras, e seus sorrisos enormes. "Força é a nova beleza" é um livro inspirador. Adorei conhecer cada uma dessas crianças incríveis, criativas e espertas...

domingo, 14 de outubro de 2018

Resenha || O Mito da Beleza, de Naomi Wolf

Rosa dos Tempos, 2018 || 490 páginas || Skoob
Sinopse: Um dos livros mais importantes da terceira onda feminista. Clássico que redefiniu nossa visão a respeito da relação entre beleza e identidade feminina. Em o mito da beleza , a jornalista Naomi Wolf afirma que o culto à beleza e à juventude da mulher é estimulado pelo patriarcado e atua como mecanismo de controle social para evitar que sejam cumpridos os ideais feministas de emancipação intelectual, sexual e econômica conquistados a partir dos anos 1970. As leitoras e os leitores encontrarão exposta a tirania do mito da beleza ao longo dos tempos, sua função opressora e as manifestações atuais no lar e no trabalho, na literatura e na mídia, nas relações entre homens e mulheres e entre mulheres e mulheres. Naomi Wolf confronta a indústria da beleza, tocando em assuntos difíceis, como distúrbios alimentares e mentais, desenvolvimento da indústria da cirurgia plástica e da pornografia. Esta edição, revista e ampliada, traz uma apresentação da autora contextualizando o livro para os leitores de hoje, já que esteve mais de duas décadas longe das livrarias brasileiras.  

RESENHA ✍

O Mito da Beleza é um clássico da terceira onda feminista escrito por Naomi Wolf na década de 1990 que renova a preocupação e a consciência sobre como a mídia de propaganda atinge as mulheres em variados contextos, seja na aparência, trabalho, direitos, maternidade, relações conjugais ou sociais.

O livro é dividido em oito partes: o mito da beleza, o trabalho, a cultura, a religião, o sexo, a fome, a violência e "para além do mito da beleza"; contando também com apresentação (da autora), introdução, agradecimentos, notas, bibliografia e índice remissivo. É uma obra completa, onde Naomi se mune de fatos, estatísticas e pesquisas, citando outras autoras, trabalhos e livros feministas no caminho. Como um livro de não ficção, O Mito da Beleza se consagra como uma das leituras mais importantes para entender a construção da imagem da beleza e perfeição física e de comportamento que são impostos às mulheres, como a autora tão bem explica:
"O mito da beleza tem a seguinte história a contar. A qualidade chamada 'beleza' existe de forma objetiva e universal. As mulheres devem querer encarná-la, e os homens devem querer possuir mulheres que a encarnem. Encarnar beleza é uma obrigação para as mulheres, não para os homens, situando esta necessária e natural por ser biológica, sexual e evolutiva. (...) Nada disso é verdade. A 'beleza' é um sistema monetário semelhante ao padrão-ouro. Como qualquer sistema, ele é determinado pela política e, na era moderna no mundo ocidental, consiste no último e melhor conjunto de crenças a manter intacto o domínio masculino. Ao atribuir valor às mulheres numa hierarquia vertical, de a cordo com um padrão físico imposto culturalmente, ele expressa relações de poder segundo as quais as mulheres precisam competir de forma antinatural por recursos dos quais os homens se apropriaram." (p. 29)

terça-feira, 12 de junho de 2018

Resenha || Mamãe & Eu & Mamãe, de Maya Angelou

Rosa dos Tempos, 2018 || 176 páginas || Skoob
Sinopse: Separados pela guerra, ligados pela memória: uma história envolvente e instigante no rastro da Segunda Guerra Mundial. Na Praga do pré-guerra, Lenka, uma jovem estudante de arte, apaixona-se por Josef, um médico recém-formado. Eles vivem cheios de ideais e de sonhos para o futuro, mas também são judeus e muito ligados à família. Casam-se, mas, pouco tempo depois, como tantas outras famílias, são separados pela guerra. As escolhas impostas pelo destino os afastam, mas deixam marcas permanentes: o caos e as informações truncadas dos tempos de guerra os levam a crer que o outro morre. Na América, Josef torna-se um obstetra bem-sucedido e constrói uma família, apesar de nunca esquecer a mulher que acredita ter morrido. No gueto de Terezín, Lenka sobrevive graças aos seus dotes artísticos e à memória de um marido que julgava nunca voltar a ver. Apesar de todas as provações e dos infortúnios, mantém a chama daquele primeiro amor acesa, guardada em seu coração. Da glamorosa vida em Praga antes da ocupação aos horrores da Europa nazista, Um Amor Perdido explora o poder do primeiro amor, a resiliência do espírito humano e a eterna capacidade de recordar.

RESENHA ✍

Esse é um livro autobiográfico da escritora e poetisa americana Maya Angelou, nascida no Missouri em 1928. Ela é autora de diversos livros, entre coleções de poesia, romances e ensaios, além de diversos volumes autobiográficos, como é o caso deste aqui. Esse foi meu primeiro contato com a Maya, apesar de já ter ouvido bastante sobre ela. Já estava na hora de conhecer sua escrita e, mais que isso, sua história. Pois, meus amigos, ela tem muito a contar!
"Vou cuidar de você e de qualquer pessoa que você disse que precisa de cuidados, da maneira como você disser. Estou aqui. Trouxe todo o meu ser até você. Eu sou a sua mãe."