Autora: Marina Oliveira
Editora: Thesaurus
Ano: 2015
Páginas: 384
Sinopse: Após ter um vídeo postado no Youtube sobre o surto psicótico que teve durante uma prova, Mariana Vilar virou uma celebridade da internet. Infelizmente, isso não trouxe nenhuma vantagem para a vida dela: foi expulsa do colégio antigo, perdeu o contato com o melhor amigo e, agora, ainda tem que aguentar as pessoas perguntando a todo tempo se a conhecem de algum lugar. Chega a hora de cursar o terceiro ano do Ensino Médio, não vai ser fácil. Novo colégio, rodeado de pessoas diferentes. Os desafios surgem e as inquietudes aumentam. Mariana começa a perceber que as experiências e desejos que guiavam o seu comportamento antes, de repente não fazem mais sentido. Entender as mudanças que vão desde belos momentos afetivos até estranhas festas da elite brasiliense será uma questão de sobrevivência. E quanto à parede branca do título? Ah, meu caro leitor, só posso garantir que ela nunca mais será a mesma.
Neste livro vamos conhecer Mariana, uma jovem brasiliense, que nunca foi muito popular no colégio; por ter o QI acima da media, ela sempre foi rotulada como "a esquisitona" ou "a CDF"; Mariana foi obrigada a mudar de colégio depois de ter protagonizado o maior surto da historia do PAS (uma especie de vestibular dividido em três etapas que são realizadas a cada termino de ciclo do ensino médio), ter seu surto publicado no youtube e o vídeo ter se tornado um viral, transformando-a assim em uma celebridade instantânea.
Ela agora é aluna do colégio Joana D’Arc, mas esta redondamente enganada se pensa que as coisas no novo ambiente escolar vão ser mais tranquilas; a primeira coisa que acontece quando ela pisa no local é a tipica cara de "te conheço de algum lugar!?" por parte da maioria dos outros alunos e as piadinhas.
A garota ignora a tudo e a todos, pois seu único interesse ali são as aulas; ela não tem interesse nenhum em fazer amizades, pois acha que isso pode atrapalhar no seu objetivo, mas isso se torna impossível, pois, Lara e Mauricio, dois colegas que se sentam perto dela na sala de aula, se aproximam, e mesmo contra sua vontade, uma amizade muito forte e verdadeira vai nascer e servir para abrir seus horizontes.
“OK. Comecei a gritar e gargalhar que nem uma louca, dancei a Hula e acabei destruindo a cadeira em que estava sentada. Os fiscais poderiam ter parado a prova e me retirado da sala, ou chamado os bombeiros e até mesmo arranjado alguém para atirar um dardo tranquilizante em mim. Mas não. Em vez disso, eles ficaram em estado de choque. Paralisados, quer dizer. Alguns alunos, então, não querendo perder a oportunidade, resolveram filmar toda a minha histeria e colocar no Youtube na mesma hora.”
Sobre Minha Experiencia de Leitura: A Parede Branca do Meu Quarto pode parecer só mais uma historia boba sobre adolescência, mas é muito mais que isso; é uma historia linda e tocante sobre amizade, família, auto-descobertas e crescimento que me surpreendeu e mexeu comigo totalmente.
A Mariana não me ganhou desde o começo, no primeiro capitulo achei ela muito esnobe, mas com o passar da leitura ela foi me convencendo, ela se mostrou uma menina que aparenta ser forte, mas que possuí muitas fraquezas e inseguranças como todos os jovens de sua idade. Gostei muito de como ela é com os familiares, mesmo com todas as diferenças e dificuldades é nítido o amor que ela sente por todos, principalmente por sua vó.
“ – Bom, veja o seu quarto. Ele poderia ser o quarto de qualquer pessoa. Branco, sem graça. Não há personalidade, você não se preocupa com isso. Aliás, você só se preocupa com os estudos. É isso que está na sua frente, saca?”
A amizade entre ela a Lara e Mauricio é muito verdadeira, eles brigam, como qualquer outro grupo de amigos, mas estão sempre juntos quando um precisa do outro. Por falar em amizade, a Mariana deixou um melhor amigo para trás, o Ian, os dois brigaram depois que ela descobriu a homossexualidade do amigo, por quem era apaixonada; essa parte me fez desgostar de novo da Mariana, mas depois eu entendi o por que de ela ter agido daquele jeito.
Como em todo bom jovem adulto, neste também não poderia faltar um romance totalmente fofo e viciante, daqueles que nos fazem ficar na torcida antes mesmo de ele dar o primeiro sinal de existência. O romance LGBT não é tão trabalhado quanto eu gostaria que tivesse sido, mas mesmo assim passa uma verdade linda, nada estereotipada.
“ – Vou te dizer o que acho, Mariana – ele voltou a falar. – Seguindo a analogia da parede branca, acho que todos nós somos paredes coloridas e enfeitadas com as mais diversas coisas. Só que, por vários motivos, em algum momento da vida, nos pintamos de branco para proteger a nossa essência. Fazemos isso para não mostrarmos que somos imperfeitos; somos humanos. Sentimos raiva, tristeza e inveja. Só que esses sentimentos foram taxados como “ruins”. E ser ruim, bem, é ruim. É ai que passamos o branco em cima de nós mesmos, para homogeneizar nossa aparência. Para aparentarmos ser perfeitos.”
A escrita da autora Marina Oliveira é muito viciante e gostosa de ler, eu não consegui me afastar da leitura por muito tempo; todos os seus personagens são muito bem construídos e trabalhados ao longo da historia, e também são extremamente apaixonantes e verdadeiros. As descrições dos ambientes são muito completas, o que ajuda o leitor a imaginar cada cenário perfeitamente.
Essa leitura me trouxe varias reflexões importantíssimas, mas acho que não importa o quanto eu fale sobre a minha experiencia com esse livro, vocês só irão entender verdadeiramente o quão importante ela é, ao lê-lo, então, leiam! Só posso dizer que não vejo a hora de ler mais obras da Marina.