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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

O Grande Zoológico, de Howard Jacobson

O Grande ZoológicoAutor: Howard Jacobson
Título original: Zoo Time
Editora: Bertrand Brasil
Ano: 2016
Páginas: 350
Skoob
Sinopse: Guy Ableman é um romancista apaixonado pela mulher, Vanessa, uma ruiva deslumbrante, contraditória e assustadoramente estressada. O problema é que ele não está menos fascinado pela sedutora sogra, Poppy. Essas duas constituem uma presença potente que destrói a paz de espírito de Guy, fazendo-o imaginar histórias ao mesmo tempo que impossibilita de se concentrar tempo suficiente para escrevê-las. Não que alguém leia seus livros. Ou qualquer outra coisa. A leitura, Guy teme, acabou. Seu editor, consciente disso, suicidou-se. Seu agente anda sumido. Vanessa, por outro lado, está escrevendo o próprio romance. Guy não espera que ela termine, mas se apavora quando pensa que pode estar errado. A ficção pode estar morta, mas o desejo, não. A partir desse desejo, ele acredita que pode escrever um ótimo livro.

Guy Ableman está passando por uma crise em sua carreira. Já passando dos 40 e não mais vendo seus livros em destaque nas prateleiras das livrarias, ele teme que a ficção esteja morrendo, assim como sua criatividade para começar um romance novo, algo que venda. Consciente de que os leitores de ficção estão sumindo e o mercado de livros está caindo, seu editor comete suicídio, deixando um Guy ainda mais perdido.

Seu primeiro livro Vai Pentear Macaco! conquistou alguns leitores e o levou a aparecer em listas de melhores autores ingleses por um tempo, porém o mesmo livro também recebeu críticas negativas e o autor é acusado por muitos pelo conteúdo machista e sacana de sua obra. 

Mas esse não é o único problema na vida do personagem; ele está apaixonado por sua sogra, Poppy, de 63 anos. Seu casamento com Vanessa vai de mal a pior e ele já não consegue parar de pensar em Poppy, que invade sua mente até na hora de escrever, o levando a criar enredos onde ela sempre aparece, com uma  forte conotação sexual.
"Numa outra época, a guerra ou a peste teria dizimado a nossa raça. Agora, sem quem nos lesse, morríamos de gangrena vocabular. Nossas próprias palavras sem receptores vinham nos matando."

segunda-feira, 6 de junho de 2016

A Mãe Eterna, de Betty Milan

"Sua vida está num impasse e, consequentemente, a minha também. Para escapar, eu te escrevo, ou melhor, escrevo à mãe eu que eu tive, a que era capaz de me ouvir e me acalentar, a mãe que eu perdi."

Skoob || 144 páginas || Editora Record
Sinopse: A Mãe Eterna - Morrer É Um Direito narra a história da relação tão enlouquecedora quanto profunda que se estabelece entre uma mãe quase centenária e a filha, que se vê na condição de ser mãe da própria mãe, até o desenlace final. Autora do emocionante Carta ao filho, Betty Milan presenteia o leitor com um romance comovente que aborda grandes questões da atualidade: como suportar a perda dos seres amados? Como enfrentar a velhice extrema? Cabe ao médico vencer a morte e manter o doente indefinidamente vivo? Como humanizar o fim da vida?


"Tudo ficou muito estranho desde que você está sem estar."

A filha já não suporta mais ver a mãe definhar, sem de fato morrer. Já aos 98 anos, com a saúde debilitada, a mãe mal ouve e quase nada vê. A filha, que se vê no papel de mãe da própria mãe, questiona os médicos, as religiões, tudo. Por quê manter vivo alguém que já não vive?

Um livro forte, reflexivo e atual, A Mãe Eterna nos apresenta um dilema que dói a alma e nos traz questionamentos sobre a vida, a morte e a relação mãe & filha. 
A filha é quem nos narra, em forma de diário; diário esse que escreve para a mãe imaginária, a mãe que tinha e já não tem, a mãe que poderia ler, escutar, vê-la e acalentá-la. A mãe que poderia fazer o papel de mãe, e não de filha, como agora faz.

A leitura desse livro fluiu assustadoramente bem, o que surpreende devido ao tema pesado. Suas 144 páginas foram como pequenas agulhas sendo enfiadas no meu peito, me deixando desolada no final. Sabe aqueles livros que te fazem passar horas e horas refletindo? Talvez olhando pro nada. Talvez deixando escapar algumas lágrimas. Bem, eu não chorei, mas isso não diminui a emoção que senti, nem o quão doloroso foi ler esse relato; e a dor de imaginar que poderia ser eu, no lugar dessa filha. 

"Gostaria de ser budista para considerar que o envelhecimento é natural e não me tocar. Só que o envelhecimento, em geral, ao qual os budistas se referem, é uma coisa, e o da mãe, em particular, é outro."

Betty Milan conseguiu me cativar, me causar empatia; me fazer pensar e, melhor de tudo, me fazer questionar. Indico esse livro para todos, e principalmente para as filhas, netas e bisnetas. Tenho certeza que o livro tocará você lá no fundo.

" Sou narcísica. Mas que culpa tenho eu de me espelhar em você? Não quero viver com o que terá sobrado de mim. O aumento da sobrevida está danificando a sua vida. Por que nos incutiram a ideia de que estar vivo é só o que importa e que nós estamos vivos enquanto o corpo resiste?"

Na verdade, livros sobre relacionamento entre mãe e filha sempre me tocam fortemente, e já li alguns sobre o tema. A Mãe Eterna, posso dizer, foi um dos melhores.

Morrer é um direito!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Mathilda Savitch - Victor Lodato

O texto de hoje é sobre o livro Mathilda Savitch do dramaturgo e poeta Victor Lodato.




Autor: Victor Lodato
Tradutor: Vera Ribeiro 
Editora: Intrínseca
Ficção americana.
Páginas: 312
Nota: 11111 5/5 

Mathilda Savitch tem conflitos que extrapolam as dores comuns da adolescência: sua irmã mais velha é brutalmente assassinada, jogada na frente de um trem por um desconhecido. Com a angústia de uma nação em guerra contra o terrorismo e os pais enlutados pela tragédia familiar, Mathilda decide usar a maldade para provocar alguma reação neles, que estão completamente catatônicos. Eleito o melhor livro de 2009 pelo The Christian Science Monitor, pela Booklist e pelo The Globe and Mail, o romance de estreia do poeta e dramaturgo Victor Lodato retrata, de maneira impressionante, a vulnerabilidade e a aparente ousadia adolescente.

        

   

Quando comprei esse livro não foi pela capa nem pelo preço, e nem pelos comentários sobre, foi coisa de olho, na mesma hora que bati o olho no livro sabia que seria uma ótima leitura, geralmente não costumo me enganar com esse tipo de coisa. 

Mathilda é uma adolescente na flor da idade que o que mais quer é acordar os pais para a vida, já que desde a morte da sua irmã mais velha eles agem como se nada mais tivesse importância, como se não ouve-se uma pessoa em casa que precisasse de atenção, como se Mathilda não existisse. Para acorda-los ela resolve se tornar uma adolescente má, ela precisa ser malvada para poder chamar atenção, e é isso que ela faz. 

O autor nos leva  para dentro dos pensamentos da personagem. O livro é narrado como em um diário, a Mathilda conta tim-tim por tim-tim do que acontece com ela para nós leitores, ela conversa conosco, faz perguntas e as responde como se estivesse tendo uma conversa imaginária, o que é comum para a idade, já que eu estou na mesma fase que ela (adolescência) e sei bem como é. 
É como um grande poema, o autor repete palavras, descreve as coisas poeticamente, tem frases de efeito e toca quem está lendo. 
Este livro devia ser leitura obrigatória para todas as menina na escola. Porque não para os meninos? O livro relata a vida e os pensamentos e vontades de uma menina. Mas não que seja proibido garotos lerem, apenas acho que não irão gostar tanto, mas em fim...

Com o país em guerra e tendo que lidar com a própria gerra, a que acontece dentro dela, Mattie cria seu próprio mundo, seus pensamentos são humanos e cheios de curiosidade e raiva e medo. Depois do evento traumático que foi perder sua irmã, ela não conta diretamente o que aconteceu, para ela é como se ainda não tivesse acontecido, e quando ela percebe que aquilo aconteceu de verdade ela se esconde no próprio mundo e tenta se defender sozinha, raciocinar sozinha e lidar com aquele sofrimento sozinha, já que a mãe não reage às lamúrias da filha e volta a beber e fumar, negligenciando a filha. O pai parece se preocupar com a menina, mas não tem tempo e nem paciência para os surtos de Mathilda, que são cada vez mais frequentes. Os momentos de paz que Mattie tem é com sua melhor amiga Anna  que não concorda em muitas coisas mas mesmo assim está por perto quando a amiga precisa. 
Acreditando que a morte da irmã, Helene, foi um assassinato, Mathilda entra no mundo de cartas e e-mails da irmã para descobrir o que realmente aconteceu. 

O que será verdade e o que será apenas a imaginação fértil de Mathilda?

Por favor, leia este livro, é uma YA inigualável e que nos faz pensar bastante, entrou para os meus favoritos do gênero e me deixou com um gostinho de quero mais.
O autor tem uma escrita muito boa, quero ler tudo o que ele já escreveu, TUDO. 
Não quero ninguém falando mal desse livro hein? hehe

Quotes:

"Algumas pessoas parecem fantasmas, não se consegue captá-las, ou então, quando se consegue, elas não passam de um borrão."     página 21 

"Quanto à tristeza da Helene, dessa eu sei  tudo. Não é uma novidade nem nada. Não que ela vivesse triste o tempo todo, mas, quando ficava triste, era feito um campo de força em que ninguém conseguia penetrar"      página 120 

"Mas, as vezes, é muito mais fácil acreditar que existe um inimigo, e não apenas uma guerra estúpida dentro da gente"    página 293


É isso meus amores, 
se você já leu ou quer ler esse livro deixe seu comentário aqui em baixo.
Beijos e até mais!