"A reputação estava ali, a boa reputação e também o prestígio: Mallarino os conquistara à força; ele não se aliava a ninguém."

Skoob || 140 páginas || Editora Bertrand Brasil
Sinopse: Javier Mallarino é uma lenda viva, o caricaturista político mais influente do país. Os políticos o temem e o governo lhe presta homenagens. Aos sessenta e cinco anos, depois de quatro décadas de uma carreira brilhante, ele pode dizer que tem o país aos seus pés. Mas tudo isso mudará quando receber a visita inesperada de uma mulher. Após retornar com ela à lembrança de uma noite já remota, Mallarino se verá obrigado a reavaliar toda a sua vida e questionar sua posição neste mundo. No exigente gênero do romance curto, que produziu tantas obras-primas na tradição latino-americana, Vásquez nos presenteia com sua obra mais íntima: uma intensa reflexão sobre a debilidade dos julgamentos públicos e privados, sobre os encontros irreversíveis que alteram para sempre aquilo que acreditamos definitivo em nós mesmos.
"Os grandes caricaturistas não esperam o aplauso de ninguém, nem desenham para consegui-lo: desenham para ferir, para incomodar, para serem insultados. (...) minha unica resposta às queixas e às agressões, foi isto: as caricaturas podem exagerar a realidade, mas não inventá-la. Podem distorcer, mas nunca mentir."
Javier Mallarino é um renomado caricaturista de Bogotá, e suas charges políticas são capazes de fazer arrancar os cabelos o político mas influente, além de manchar ou ruir reputações. Amado por uns, odiado por outros, Mallarino segue sua rotina na casa onde mora há muitos anos, no alto de uma montanha; quase não vai à cidade, e, quando vai, reclama da poluição, dos cheiros e do barulho.
Aos sessenta e cinco anos, com quatro décadas de uma carreira brilhante, ele recebe as devidas honrarias por seu trabalho em um grande evento; e lá conhece uma bela e jovem mulher.
Samanta Leal aparece em sua vida de uma hora para outra, questionando-o sobre o que aconteceu com ela tantos anos antes na casa da montanha, na noite em que ele recebeu seus amigos para inaugurar a residência. Ela tinha apenas 7 anos quando aquilo aconteceu, e já não lembra de muitas coisas; para ela, é essencial saber.
Ao recordar de tudo o que aconteceu não só naquela noite, mas naquele ano, Mallarino começa a questionar suas atitudes, a falta da mesma, e também a refletir sobre a memória, mentiras e verdades não ditas; sobre lembranças bloqueadas e traumas que deixam marcas para a vida inteira.
"Todos conheciam o espaço onde sempre estivera sua caricatura: bem no meio da primeira página de opinião, esse lugar mítico aonde vão os colombianos para odiar seus homens públicos ou para saber por que os amam, esse grande divã coletivo de um país longamente enfermo."