"Porque escrever não é um meio para chegar em algum lugar, mas a própria construção do lugar, na proporção de um tijolo por palavra, dizendo com simplicidade. Não conseguimos escapar da linguagem, nossa alma visível."
Skoob || 192 páginas || Editora Record
Sinopse: Por mais de seis anos, Cristovão Tezza assinou uma coluna de crônicas no jornal paranaense Gazeta do Povo, revelando a seus leitores uma nova faceta, a de observador fino e bem-humorado do cotidiano. Segundo livro saído da contribuição desse cronista tardio às páginas do jornal, A máquina de caminhar reúne 64 crônicas, selecionadas por Christian Schwartz e ilustradas por Benett, que comprovam a maestria do autor em extrair do circunstancial e do provisório pequenas pérolas literárias. Completa esta coletânea um saboroso ensaio sobre a crônica, com a marca do humor, em que Tezza faz uma brilhante análise de dois exemplos da pena de nosso maior prosador, Machado de Assis. A partir deles, procura definir as marcas deste gênero brasileiríssimo ao qual se dedicou de maneira quase acidental e de que este livro é uma bela amostra.
Cristovão Tezza, é um escritor brasileiro autor de obras importantes como o premiado romance O Filho Eterno, que teve grande impacto no panorama ficcional de nosso país.
Depois de anos escrevendo apenas ficção, Tezza recebe a proposta de assinar uma coluna semanal como cronista para o jornal Gazeta do Povo, onde permaneceu por 6 anos.
Suas crônicas ganharam uma seleção em 2013, levando o título Um Operário em Férias, organizados por Christian Schwartz, que também seleciona as 64 crônicas de A Máquina de Caminhar.
Não sou leitora assídua do gênero, porém assim que bati o olho neste livro senti a necessidade de lê-lo. Os temas que permeiam as páginas deste livro são os mais variados; desde futebol até literatura, passando por viagens e política, assunto é algo que não falta para Tezza, que consegue manter o leitor interessado e presente mesmo quando o assunto da vez é política, um natural divisor de opiniões que está presente em nosso cotidiano.
As crônicas que falam sobre literatura, leitura e leitores foram as melhores em minha opinião. Apesar de não concordar com uma coisa ou outra (e isso é totalmente saudável), me vi em muitos relatos do autor, inclusive na crônica Leitura Disparatadas, onde o autor diz ler vários livros ao mesmo tempo, e cada um deles seguindo um critério. Por exemplo, um livro para se ler em viagens não podem ter mais de 250 páginas; ao passo que os livros de cabeceira têm mais de 300.