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segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Resenha || O Fascismo Eterno, de Umberto Eco

Editora Record, 2018 || 64 páginas || Skoob
Sinopse: Publicado pela primeira vez em 1997, como parte do livro Cinco escritos morais, O fascismo eterno chega aos leitores em nova edição no momento de ascensão mundial do flerte com o fascismo. Segundo Umberto Eco, entre as possíveis características do Ur-Fascismo, o fascismo eterno do título, estão o medo do diferente, a oposição à análise crítica, o machismo, a repressão e o controle da sexualidade, a exaltação de um líder, um constante estado de ameaça, entre outros. O fascismo, denuncia o autor, longe de ser apenas um momento histórico vivo na Itália, na Europa (e no Brasil) do século XX, é uma ameaça constante da nossa sociedade.  

RESENHA ✍

O Fascismo Eterno é um discurso do escritor italiano Umberto Eco publicado pela primeira vez em 1997, no livro "Cinco Escritos Morais", e nasceu do resultado de uma conferência que o mesmo realizou dois anos antes na Columbia University. Como italiano, tendo memórias sobre a Segunda Guerra e as ocupações de militares em seu país; e como italiano e bom conhecedor da história da Itália e o regime Mussolini, Umberto Eco explica nesse texto curto um pouco sobre como se deu a ditadura fascista em seu país e no mundo.

O fascismo, explica ele, tem algumas características que o definem na teoria, e que podem surgir juntos ou separados, também podendo tomar outras formas, usar outras máscaras e outros discursos. Citando o autor: "O termo 'fascismo' adapta-se a tudo porque é possível eliminar de um regime fascista um ou mais aspectos, e ele continuará sempre a ser reconhecido como fascista".

No nosso cenário atual, e relembrando a história de nosso país, líderes e presidentes, é importantíssimo ter conhecimento (e democratizar o acesso ao conhecimento) sobre o que faz o fascismo, os discursos que o acompanha e as personalidades daqueles que o perpetuam. É importante conseguir identificá-lo, para lutar contra ele.
"Tinham me dito que a guerra permanente era a condição normal de um jovem italiano".

Esse é um livro bem curto, com diagramação espaçosa e confortável para a leitura, que foi rápida. "O Fascismo Eterno" é bem interessante, mas não muito acessível considerando a escrita do autor, que pode não ser clara para todos. Sendo um livro de 64 páginas e resultado de um discurso, é de se esperar que o conteúdo seja reduzido, não tão detalhado.
"Estamos aqui para recordar o que aconteceu e para declarar solenemente que 'eles' não podem repetir o que fizeram. Mas quem são 'eles'?"
No mais, recomendo a leitura ;)

terça-feira, 26 de junho de 2018

Resenha || Confissões de um Jovem Romancista, de Umberto Eco

Record, 2018 || 162 páginas || Skoob
Sinopse: Umberto Eco publicou seu primeiro romance, O nome da rosa, em 1980, quando tinha quase 50 anos. Nestas Confissões de um jovem romancista, escritas quase trinta anos depois de sua estreia na ficção, o autor rememora sua longa carreira como teórico e os principais trabalhos como romancista, refletindo sobre os processos que utiliza ao escrever ficção. Originalmente, os quatro ensaios do livro foram parte do programa Palestras Richard Ellmann sobre Literatura Moderna, na Universidade Emory, em Atlanta, Estados Unidos. Ao mesmo tempo medievalista, filósofo e estudioso da literatura contemporânea, Umberto Eco se mostra um "jovem romancista" que ainda surpreende ao ensinar sobre a arte da ficção e o poder das palavras.

RESENHA ✍

Esse é um livro de não-ficção do escritor italiano Umberto Eco (1932-2016); um grande filósofo, teórico e bibliófilo, mantedor de uma coleção com mais de 30 mil exemplares, obras raríssimas e de grande valor histórico, intelectual e monetário. No livro A Memória Vegetal (Record, 2010) Eco faz um estudo sobre a importância do livro na evolução das civilizações e o mundo da bibliofilia, no qual ele viveu e contribuiu muitíssimo durante boa parte de sua vida. E agora, mesmo depois de sua morte aos 84 anos, essa sua contribuição no universo literário é e será, sem dúvidas, objeto de estudo de diversas pessoas ao redor do mundo.

Entre as obras mais conhecidas do autor estão O Nome da Rosa, Baudolino e O Pêndulo de Foucault. Eco vendeu dezenas de milhões de exemplares como romancista, mas também compartilhou muito de seu processo de escrita, sua relação com os livros e com a ficção em muitos ensaios e pequenos textos que são referencia em universidades e cursos (já me deparei várias vezes com seu nome no curso de Biblioteconomia) internacionalmente.
"[...] aprendi que um romance não é apenas um fenômeno linguístico. Na poesia, é difícil traduzir as palavras porque o que importa é o seu som, assim como seus significados deliberadamente múltiplos, e é a escolha das palavras que determina o conteúdo. Numa narrativa, temos a situação contrária: o universo que o autor construiu, os acontecimentos que nele ocorrem é que ditam o ritmo, o estilo e até a escolha das palavras. A narrativa é governada pela regra latina, "Rem tene, verba sequentur" - "Prenda-se ao tema e as palavras virão" -, ao passo que na poesia a formulação deve ser mudada para: "Prenda-se às palavras e o tema virá." (p. 15)

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Lançamento | Pape Satàn Aleppe - Crônicas de uma Sociedade Líquida, de Umberto Eco | Editora Record

Olá, leitores! Quem aqui já ouviu falar do escritor italiano Umberto Eco? Ele é o autor do aclamado O Nome da Rosa, um livro de mistério que encantou milhões de leitores ao redor do mundo, e muitos outros títulos de sucesso, como O Cemitério de Praga e História da Beleza. Agora em 2017 a editora Record irá publicar o último livro escrito por Eco, que faleceu em fevereiro do ano passado, cujo título por si só já é um mistério: Pape Satàn Aleppe; é um livro inédito de ensaios sobre assuntos da sociedade moderna atual. No site do Grupo Editorial Record se encontra um ótimo texto sobre o conteúdo do livro e seu autor, é só clicar AQUI. O livro chegará às livrarias ainda neste mês de Junho!

9788501109095.
Crises ideológicas, econômicas e políticas, individualismo desenfreado e uma relação simbiótica com nossos celulares são alguns dos elementos que compõem o ambiente em que vivemos: o de uma sociedade líquida, onde nada parece fazer sentido ou ter sequer algum significado. Neste que é seu derradeiro livro, a fim de tornar mais fácil a compreensão de nossa sociedade desnorteada, Umberto Eco nos presenteia com uma coleção de ensaios sobre tudo: de Harry Potter ao 11 de Setembro, passando pelo Twitter, os templários e questões de caligrafia. “Pape Satàn, pape Satàn aleppe”, disse Plutão no Inferno de Dante, com espanto, tristeza, ameaça ou talvez ironia. O significado do verso, ainda um mistério para nós, líquido demais, é perfeito, portanto, para caracterizar a confusão de nosso tempo e intitular esta obra.