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segunda-feira, 6 de junho de 2016

A Mãe Eterna, de Betty Milan

"Sua vida está num impasse e, consequentemente, a minha também. Para escapar, eu te escrevo, ou melhor, escrevo à mãe eu que eu tive, a que era capaz de me ouvir e me acalentar, a mãe que eu perdi."

Skoob || 144 páginas || Editora Record
Sinopse: A Mãe Eterna - Morrer É Um Direito narra a história da relação tão enlouquecedora quanto profunda que se estabelece entre uma mãe quase centenária e a filha, que se vê na condição de ser mãe da própria mãe, até o desenlace final. Autora do emocionante Carta ao filho, Betty Milan presenteia o leitor com um romance comovente que aborda grandes questões da atualidade: como suportar a perda dos seres amados? Como enfrentar a velhice extrema? Cabe ao médico vencer a morte e manter o doente indefinidamente vivo? Como humanizar o fim da vida?


"Tudo ficou muito estranho desde que você está sem estar."

A filha já não suporta mais ver a mãe definhar, sem de fato morrer. Já aos 98 anos, com a saúde debilitada, a mãe mal ouve e quase nada vê. A filha, que se vê no papel de mãe da própria mãe, questiona os médicos, as religiões, tudo. Por quê manter vivo alguém que já não vive?

Um livro forte, reflexivo e atual, A Mãe Eterna nos apresenta um dilema que dói a alma e nos traz questionamentos sobre a vida, a morte e a relação mãe & filha. 
A filha é quem nos narra, em forma de diário; diário esse que escreve para a mãe imaginária, a mãe que tinha e já não tem, a mãe que poderia ler, escutar, vê-la e acalentá-la. A mãe que poderia fazer o papel de mãe, e não de filha, como agora faz.

A leitura desse livro fluiu assustadoramente bem, o que surpreende devido ao tema pesado. Suas 144 páginas foram como pequenas agulhas sendo enfiadas no meu peito, me deixando desolada no final. Sabe aqueles livros que te fazem passar horas e horas refletindo? Talvez olhando pro nada. Talvez deixando escapar algumas lágrimas. Bem, eu não chorei, mas isso não diminui a emoção que senti, nem o quão doloroso foi ler esse relato; e a dor de imaginar que poderia ser eu, no lugar dessa filha. 

"Gostaria de ser budista para considerar que o envelhecimento é natural e não me tocar. Só que o envelhecimento, em geral, ao qual os budistas se referem, é uma coisa, e o da mãe, em particular, é outro."

Betty Milan conseguiu me cativar, me causar empatia; me fazer pensar e, melhor de tudo, me fazer questionar. Indico esse livro para todos, e principalmente para as filhas, netas e bisnetas. Tenho certeza que o livro tocará você lá no fundo.

" Sou narcísica. Mas que culpa tenho eu de me espelhar em você? Não quero viver com o que terá sobrado de mim. O aumento da sobrevida está danificando a sua vida. Por que nos incutiram a ideia de que estar vivo é só o que importa e que nós estamos vivos enquanto o corpo resiste?"

Na verdade, livros sobre relacionamento entre mãe e filha sempre me tocam fortemente, e já li alguns sobre o tema. A Mãe Eterna, posso dizer, foi um dos melhores.

Morrer é um direito!

31 comentários :

  1. Oi Gabi, livros sobre relacionamentos entre mãe e filha me tocam bastante também. Eu já conhecia esse título, mas essa é a primeira resenha que leio sobre. Gostei bastante dos seus comentários e espero poder ter a oportunidade de ler. Adorei os trechos incluídos na resenha.
    Beijos, Fer

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    1. Espero de verdade que leia, Fer, é um livro ótimo!
      Que bom que gostou!
      Beijão

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  2. Oiii!
    Não tinha ouvido falar sobre esse livro ainda mas essa proposta parece bem interessante. A relação de mãe e filha sempre é complicada, ainda mais quando há essa inversão de papeis, quando a mãe fica centenária e a filha acaba virando a mãe da situação. Eu tenho uma avó bem velhinha e entendo muito bem do que é isso, principalmente por ver a forma com a qual minha mãe cuida dela. Me parece um livro que eu gostaria de ler ou mesmo indicar para minha mãe!
    Beijos!

    www.beyondbluedoors.com

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    1. É complicada mesmo, ainda mais nessa situação. Indica para ela sim, tenho certeza que irá se emocionar.
      Beijos!

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  3. Adorei os quotes que você compartilhou e teve um que até me emocionou. Acho que seria uma leitura que me deixaria melancólica e um pouco pra baixo, mas ainda assim, eu a faria e adoraria.
    Adorei as dicas.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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    1. Oie, Ivi! Acredito que você irá adorar a leitura! É um livro que deixa a gente meio pra baixo em alguns trechos, porém vale a leitura e a reflexão. Fico feliz que tenha gostado!
      Beijos

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  4. Ola lindona o tema do livro é tocante pois ver a quem amamos demais nessa situação e nos tornamos impotentes mediante a situação, mas que pode ocorrer a qualquer um e não deve ser fácil, se manter forte quando nosso coração se despedaça. Preciso me preparar para ler. beijos

    Joyce
    www.livrosencantos.com

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    1. Oii Jo, tudo bom? É bem tocante sim, e acarreta muitas reflexões e discussões construtivas... eu amei. Leia mesmo, pois acho que irá amar.
      Beijão

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  5. Oi, Gabrielly

    Nossa, que tema pesado, hein? Já senti uma dor no peito só de me colocar no lugar dessa filha. O questionamento que ela fez na última quote é tão pertinente...
    "Por que nos incutiram a ideia de que estar vivo é só o que importa e que nós estamos vivos enquanto o corpo resiste?"
    Fiquei aqui refletindo...às vezes a gente vê situações tão tristes, né? Idosos acamados, que não falam, não andam, não enxergam, não podem mais socializar com ninguém, mas aí são bombardeados com medicamentos e vão resistindo...isso é certo?
    Eu não gosto nem de pensar. Se Deus quiser, e Ele vai querer, meus pais serão velhinhos lúcidos e ativos. Sei que eles não vão viver para sempre, mas não quero uma velhice triste pra eles.
    Obrigada por apresentar esse lindo livro!

    Beijos

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    1. Oie, Tamires, tudo bom? É um tema bem pesado sim, mas que merece ser discutido, e esse livro o aborda de uma maneira bem inteligente, incitando a reflexão e um posicionamento. Espero de coração que leia e aprecie a leitura <3 Tudo de bom!
      Beijos

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  6. Olá!
    Livros com esse tema sempre tocam bastante porque nos fazem refletir que nossos pais não são para sempre e o que faríamos se estivéssemos nesta situação.
    Achei a leitura bem pertinente e os quotes que você colocou demonstra a premissa da do livro. Pode ser uma leitura não tão fácil de fazer, por ser uma coisa pesada, mas com certeza vale a pena.
    Beijos.

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    1. Vale muito a pena sim, Carolina. Eu amo livros que abordam temas fortes, como esse abordou e maravilhosamente bem.
      Beijos!

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  7. Oi!
    Acredito que a história desse livro deve ser profundamente intensa e muito, mais muito mesmo pesada, principalmente para quem já vivenciou algo parecido com a história do livro, que no meu caso foi o meu avô.
    Eu não o leria por ainda ser muito recente tudo que aconteceu com ele e tudo que ficou em mim depois da sua morte, mas é uma leitura que com certeza se um dia eu tiver oportunidade irei ler

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    1. Sinto muito pela sua perda :(
      Super entendo, Sabrina! Realmente a leitura seria ainda mais pesada para você.
      Beijão

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  8. Olá Gabi,
    Meu Deus, esse livro é de um tema que toca fundo no meu coração, sério. Ele me destruiu apenas por sua resenha.
    Tenho uma avó que, infelizmente, não tem uma cabeça boa. Ela não se lembra de muitas coisas e, várias vezes, precisei fazer o papel de mãe dela. Infelizmente, essas coisas tem acontecido com mais frequência do que no passado, talvez porque as pessoas vivam mais.
    Entendo o dilema dessa filha e, claro, anotei a dica e espero ler muito em breve, pois sei que vou amar.
    Obrigada por essa resenha incrível.
    Beijos,
    http://mileumdiasparaler.blogspot.com.br/

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    1. Também é um tema que me emociona bastante, Bruna. Ah, imagino o quão doloroso deve estar sendo para você... :/ Espero mesmo que leia, é um livro incrível.
      Obrigada por ler <3
      Beijos!

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  9. Oie!
    Deve ser uma história muito intensa, reflexiva e emocionante. Acompanhar o sofrimento da mãe, e ainda esses questionamentos mais que compreensíveis, me deixará bem reflexiva dessa história. Uma dica mais que valiosa. Gostei desse título e tenho interesse em conferir.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

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    1. É bem tudo isso mesmo <3 Um livro lindo, triste mas lindo.
      Beijos

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  10. Olá

    Já conhecia esse livro e tenho bastante vontade de ler. Sempre me dei muito bem com a minha mãe e esse tipo de livro sempre me deixa bem emotiva. Acho que a estória é bem forte e faz algumas reflexões. Já estava na minha lista, agora fiquei ainda mais curiosa.

    Bjos
    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2016/06/resenha-confissoes-de-uma-garota.html

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    1. Espero que possa lê-lo em breve, Stefani, e espero de verdade que goste!
      Beijos

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  11. Oi!

    Esse livro me parece ser super pesado e mesmo fluindo bem, não é uma leitura fácil de se fazer, eu acredito. Acho que a premissa é bem delicada e pertinente e que a leitura deve ser muito boa. Espero ler algum dia, quando eu estiver mais sossegada. Adorei a sua resenha, você passou um intensidade que acredito estar no livro. :D

    beijo!

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  12. Olá!
    Esse livro parece ser incrível, mas um tanto pesado. Acho que eu não teria coragem de ler, não tenho estômago pra isso. Sou chorona e pensar que poderia ser no lugar dela vai acabar comigo, certeza.
    Sua resenha ficou ótima e tocante, como esse lindo livro.
    Beijos!

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  13. Oi! Puxa que livro forte! Imagino que deve ser uma leitura angustiante ai da mais se nos colocarmos no lugar das personagens.
    Gostei da premissa e pretendo ler em breve....
    Bj

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  14. Olá,
    O tema que o livro aborda parece ser bem triste e forte. Não sei se leria, mas deve ser ótimo para nos fazer refletir. Imagino a onda de emoções que deve tomar conta enquanto lê. Gostei da resenha, só não leria mesmo por achar que é um livro bem forte.
    Beijos!
    http://www.virandoamor.com/

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  15. Oi Gabi,
    Que pérola esse livro! Não tinha ideia que o enredo fosse assustadoramente comovente. Amo histórias que instigam perguntas, reflexões e os tantos "e se", com certeza é uma ótima indicação para quem gosta. Adorei!
    Bjim!
    Tammy

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  16. Oi Gabi,
    Que resenha, mulher!
    Olha eu fiquei bem interessada na obra, eu não a conhecia. Mas te confesso que acho não leria no momento, pois passo por ago bem parecido com a minha mãe, ela não tem a idade da personagem, mas sofreu de uma doença que a levou a perder as principais funções vitais de repente e te digo que eu acho que é pior ainda, você ver alguém jovem, que há um tempo atrás era tão cheia de vida, definhando em cima de uma cama, sem enxergar, andar e nem ao menos pensar direito :/
    É muito triste.

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  17. Oii!!

    Eu recebi esse livro mas ainda não tive coragem em ler. Acho que a obra é mais densa que eu estou acostumada. Achei que é uma ótima obra para refletir sobre o que acabamos perdendo ao longo dos anos.
    Otima dica!

    Beijinhos

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  18. Oi, tudo bem?

    Ai Deus, que história é essa, Jesus? Eu acho que choraria sim, pois de forma alguma saberia lidar com uma situações dessas se estivesse no lugar dessa protagonista. Talvez eu até seria egoísta demais e iria querer manter minha mãe viva mesmo sabendo que ela estava sofrendo. Ai, não gosto nem de imaginar. Acho que não sou forte o bastante para ler esse tipo de livro.

    Ma eu super adorei a sua resenha, que, por sinal, está espetacular. Foi clara, objetiva e sincera. Gostei demais. Enfim, obrigada pela dica.

    Parabéns pela matéria
    Ingrid Cristina
    Plataforma 9 3/4

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  19. Oi Gabi, desde que eu vi esse livro eu tenho vontade em ler ele, além de ser escrito em forma de diário que eu adoro, é sobre algo muito tocante que é a relação de mãe e filha. Esse é um assunto importante e cativante de ler, espero conseguir adquirir meu exemplar em breve!

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com/?m=1

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  20. Sobre o libro: já quase chorei não resenha. Socorr. Gostei muito do tema do livro. Sou Cristã e prazo a vida acima de tudo mas, tbm prezo os dons de Deus, por mais que Ele tenha dado ao homem a inteligência pra construir meios de manter uma pessoa viva , acho que se ela não se sustenta mais sozinha pode ir descansar. Diferente de pessoas que optam por morrer pq ficaram deficientes ou algo assim, tem as pessoas que vivem "por aparelhos", desligar esses aparelhos não é suicídio ou assassinato. É deixar a vida seguir seu curso. Eu não conseguiria ler esse livro, mas, fico feliz que tenha gostado.

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  21. Este não é um tema que eu goste muito de ler, mas ele me ganhou por ser em formas de cartas destinadas a uma mãe imaginária, pois imagino que assim ele fica mais tocante do que se fosse em prosa mesmo, fora que fica mais dinâmico. Fiquei curiosa em como profundo se dão os questionamentos da filha e os ensinamentos da obra!

    http://deiumjeito.blogspot.com.br/

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