“Alguém realmente conhecia o próprio filho? Filhos eram pequenos estranhos, sempre mudando, desaparecendo e se reapresentando aos pais.”
Liane Moriarty é uma das escritoras mais aclamadas da atualidade; suas obras, elogiadíssimas. Depois de seu sucesso com o livro O Segredo do Meu Marido, que foi publicado pela editora Intrínseca em 2014, ela deixou sua marca como autora de mistério e dramas familiares.
Em 2015 chegou por aqui Pequenas Grandes Mentiras, que pode ser considerado sua obra mais notável, tendo os direitos comprados para ser transformado em serie de tv; com ninguém menos que Reese Witherspoon interpretando a personagem Madeline; Nicole Kidman, como Celeste; e a jovem e talentosa Shailene Woodley, que dará vida à personagem Jane.
É pelo ponto de vista dessas três personagens, em terceira pessoa, que o leitor se situa nessa narrativa.
O livro começa com Madeline e Jane se conhecendo no trânsito, depois de um pequeno acidente. As duas estavam a caminho da Escola Pirriwee, para uma reunião com os alunos recém-matriculados.
Jane é mãe solteira do pequeno Ziggy, de 6 anos, e se mudou para a pequena cidade para tentar uma vida nova com o filho. Sua situação não passa despercebida pelas outras mães cuja ideia de família consiste em mãe, pai e no mínimo dois filhos. Porém suas novas amigas, Madeline e Celeste, tentarão protegê-la a todo custo.
Celeste é uma mãe e esposa dedicada, com um casamento aparentemente perfeito. Mas só aparentemente. É rica, tem uma beleza natural e é invejada pelas outras mães. Porém vive aérea, no mundo da lua. Ninguém desconfia do que ela esconde tão bem, tão ferida e envergonhada em sua situação.
"Se exibisse no Facebook como sua vida era perfeita, talvez também começasse a acreditar."
Madeline é mãe de 3 crianças, 2 frutos de seu segundo casamento e a mais velha, de 14 anos, é filha de seu casamento fracassado, e a qual teve que criar sozinha. Uma mulher forte, decidida e de pavio curto que não leva desaforo pra casa. Sua vida desmorona quando sua filha resolve ir morar com o pai, seu ex-marido que a abandonou e que agora leva uma vida perfeita com Bonnie e uma filhinha, Skye, que vai estudar na mesma sala que sua pequena Chloe, Ziggy e os gêmeos de Celeste. Ela está arrasada.
Quando Ziggy é acusado de praticar Bullying com uma das colegas, a escola vira um verdadeiro campo de guerra entre as mães. Seria aquele doce e inteligente garoto alguém capaz de machucar outra pessoa? Jane tem certeza que não, afinal é seu filho, e ela saberia... ou não?
Em uma noite de jogos de perguntas promovida pela escola, os pais vão fantasiados de Audrey e Elvis. Com muita bebida e sem nada para comer devido a um imprevisto do bufê, os pais logo ficam animados demais. Acusações, desentendimentos e mentiras reveladas, grandes e pequenas. Adultos começam a se comportar como crianças. O fato é que alguém morreu.
“Detetive Adrian Quinlan: Vou ser bem claro: isso não é um circo. É uma investigação de assassinato."
Nesse cenário repleto de mistério, suspense e dramas familiares, Liane Moriarty tece uma trama incrivelmente envolvente e criativa. Com tantas investidas surpreendentes que o leitor nunca estaria cem por cento preparado para o que ela nos reserva a cada virar de páginas. Um livro, ouso dizer, perfeito. Nada é fora do lugar ou exagerado. É uma obra rica em detalhes. Os personagens, todos - todos!!- são maravilhosamente bem construídos e cativantes. E, mesmo parecendo um livro pesado, possui algumas passagens de humor contagiantes.
O assassino, a vítima e o motivo do crime são um total mistério, o que foi muito original e arriscado, mas deu certo. Principalmente por termos tantas outras histórias interligadas nas quais podemos nos focar. Também acompanhamos as entrevistas do detetive com os pais para averiguação do caso no fim de cada capítulo.
Bullying; violência doméstica física e psicológica; violência sexual e relações familiares são alguns dos vários temas que a autora aborda neste romance. São temas presentes em muitos livros, mas aqui ela explora todos de tal forma que realmente faz o leitor pensar e repensar bastante sobre suas próprias ações e seu papel na sociedade. Sem descriminação e preconceito e de forma realística. Ninguém sai impune.
“As mães dos dias atuais levam o papel de mãe muito a sério.”
Sabe aqueles livros que são muito mais que simples distrações? É o caso deste aqui. Incrível! Entrou para os favoritos antes mesmo da página 100 e só foi ficando melhor. Leiam!