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segunda-feira, 2 de março de 2015

Leituras do mês: Fevereiro/15

Chega um novo mês e com ele o post com as leituras do mês anterior. Adoro escrever essa "coluna?" pois é sempre bom relembrar as histórias e nossas opiniões sobre elas, não é? 
No mês de Fevereiro eu não li muita coisa em comparação a Janeiro que consegui ler 13! Eu realmente podia ter lido mais (tempo é o que não falta já que ainda estou esperando começar o cursinho) mas eu não quis e o motivo foi explicado no post de leituras de janeiro: eu precisava escrever resenhas dos livros que li nos últimos meses.
Mesmo assim consegui ler 3 livros para o desafio de clássicos!!! Eu realmente achei que não fosse conseguir ler tantos clássicos mês passado.

Ps: clicando nas imagens vocês serão redirecionados para a resenha/texto dos respectivos livros. 

Fale!   O Grande Gatsby

O primeiro livro lido foi Fale, da autora Laurie Halse Anderson que também escreveu um dos meus livros favoritos (Garotas de Vidro). Sobre Fale! eu gostei do livro, mas esperava bem mais da estória. Esperava encontrar algo mais forte e emocionante. Bem, acho que fui com muita sede ao pote; encontrei uma proposta interessante mais que podia ter sido melhor explorada. A protagonista é uma pré adolescente que passou por algo terrivelmente doloroso e que se cala. Apesar disso esse foi um livro que me fez refletir e dar um outro olhar para algumas coisas. 

O segundo livro lido foi O Grande Gatsby do F. Scott Fitzgerald. Eu adorei essa estória, adorei a narrativa e principalmente os personagens. Super bem construído. E que final doloroso... Se vocês já leram texto que fiz sobre essa leitura sabem do problema que tive com a revisão nessa edição. Enfim, é uma ótima estória que definitivamente merece ser lida. 


Lady Susan  Todos os Meus Amigos São Super-Heróis   Doze Anos de Escravidão

A terceira leitura foi Lady Susan, de Jane Austen. Como vocês podem conferir na abinha no topo do blog eu me propus ler os livros de Jane Austen, e como eu não sabia o que esperar resolvi ler o mais curto de todos que é esse, Lady Susan. Essa novela tem narrativa epistolar. Lady Susan é uma enviuvou recentemente mas que não tarda a procurar um novo marido para ela e um para a filha que completará 18 anos em breve e que é totalmente contra os planos da mãe; de preferência um marido rico e de saúde frágil. Com isso vocês já podem imaginar o caráter dela, ou a falta dele. Eu li essa novela bem rapidinho afinal são apenas 73 páginas e a narrativa, contrariando minhas expectativas, é fácil e ágil. Além de ser super gostoso de ler, Lady Susan foi essencial para que eu provasse da escrita da autora, definitivamente gostei do que li. Não foi NOSSA QUE LIVRO! mas foi uma ótima leitura. 

Depois senti a necessidade de ler algo mais leve e optei por Todos os Meus Amigos São Super Heróis do Andrew Kaufman. Esse não é um livro infantil! Eu realmente acho que deveria ter um aviso desse na capa. Não, não é infantil, contrariando o título e a capa esse é um livro que deve ser lido por adolescentes/adultos pela linguagem mesmo, que apesar de fácil é inapropriada para crianças. Eu gostei da primeira metade do livro e comecei a duvidar da sanidade do autor na segunda. Dei 3 estrelas. Serviu para me acalmar depois de leituras mais densas, mas só isso. Vocês querem texto sobre ele? Se sim irei providenciar. 

Por último eu li o drama Doze Anos de Escravidão do Solomon Northup que é uma história real, aconteceu com o próprio autor do livro e é um relato/diário dos 12 anos que ele passou sendo escravo sequestrado, já que antes era um homem livre. Já tem texto sobre ele aqui no blog, é só clicar na imagem do livro. 

Nenhum desses livros entraram para os meus favoritos, mas todos me fizeram crescer de alguma forma. Além de terem me arrancado lágrimas e até risadas. Foram todos boas/ótimas leituras e os indico. 

Agora no mês de Março pretendo ler mais. Tem vários livros que comecei em Fevereiro e que quero terminar e também vou tentar ler pelo menos 4 nacionais! Será que consigo? 

Então agora quero saber quais foram as melhores leituras de vocês do mês passado e o que pretendem ler em Março. Vamos dialogar!
Beijos e até o próximo post!

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Fale! - Laurie Halse Anderson


Fale! - “Fale sobre você... Queremos saber o que tem a dizer.” Desde o primeiro momento, quando começou a estudar no colégio Merryweather, Melinda sabia que isso não passava de uma mentira deslavada, uma típica farsa encenada para os calouros. Os poucos amigos que tinha, ela perdeu ou vai perder, acabou isolada e jogada para escanteio. O que não é de admirar, afinal, a garota ligou para a polícia, destruiu a tradicional festinha que os veteranos promovem para comemorar a chegada das férias e, de quebra, mandou vários colegas para a cadeia.
E agora ninguém mais quer saber dela, nem ao menos lhe dirigem a palavra - insultos e deboches, sim - ou lhe dedicam alguns minutos de atenção, com duvidosas exceções. Com o passar dos dias, Melinda vai murchando como uma planta sem água e emudece. Está tão só e tão fragilizada que não tem mais forças para reagir.

***

Melinda acaba de mudar de escola, agora ela está no ensino médio e não tem mais amigas. Todas as que tinha agora parecem ter nojo dela, riem ou jogam piadas quando ela passa e não parecem, de jeito nenhum, querer restaurar a velha amizade. Melinda sabe disso, e o que mais doí é não conseguir falar. Dizer o que realmente aconteceu e o que a fez ligar para a policia naquela festa. A voz de Melinda foi roubada naquela noite. Já que ninguém parece querer ouvir, ela não fala. Quer dizer, fala, mas apenas o essencial, o suficiente para não ser internada em um hospital psiquiátrico. 

As notas dela estão cada vez piores, menos em Artes, sua nova matéria favorita, onde o professor parece ser louco o bastante para não prestar atenção em sua loucura. Então ela só precisa desenhar uma árvore, tarefa que lhe foi dada, mas o que para alguns parece ser algo bobo, para ela se torna cada vez mais difícil. Não é apenas uma árvore, é uma arte. Ela precisa colocar sentimentos em sua arte. Isso é que é difícil. 
Como não era de se bastar ela tem que conviver na presença de seu agressor, aquele que, de alguma forma, tirou sua voz. O troço. É assim que ela o chama. 





























Fale! é um livro sobre medo, adolescentes em crise, depressão e silêncio. Sobre como algumas pessoas se fecham em si mesmas e não se permitem falar, por achar que ninguém pode ou quer ajudá-las. Sobre como alguns jovens podem ser cruéis, e mesmo assim saírem impunes, como se nada tivesse acontecido. Sobre a falta de diálogo com os pais e como isso afeta. 
É um livro com lições importantíssimas, uma delas a seguinte: não ter medo de falar. Qualquer coisa. O importante é ter voz. Só assim podemos ser ajudados e só assim conseguiremos alivio. 
É um livro honesto, tudo muito verdadeiro e corajoso. 
Eu já conhecia a escrita da autora com o livro Garotas de Vidro  e já esperava algo forte quando comecei Fale! Não foi tão bom quanto o primeiro, mas cada um tem sua heroína e cada heroína, seus fantasmas.


"Ela me olha por alguns instantes. Diz com os lábios, em silêncio: "Eu te odeio". Então, vira as costas e ri com os amigos. Mordo o lábio. Não vou ficar pensando nisso. Foi péssimo, mas já acabou, e não vou ficar pensando nisso. Meu lábio sangra um pouco. Sinto gosto de ferrugem. Preciso me sentar."

Melinda está com estresse pós traumático, é isso que percebo durante a leitura. Ela precisou amadurecer em pouco tempo, precisou lidar sozinha com o que aconteceu em um silêncio perturbador. Ela sabe que precisa falar, mas não consegue; e em vários momentos (é narrado em primeira pessoa) ela descreve como se sente: como se seus lábios estivessem costurados e sua capacidade de falar, roubada. E para quem ela falaria? Para os pais cujo casamento está em crise? Para suas amigas que nem parecem notar sua existência e quando notam agem como se ela fosse um lixo? Melinda pensa exatamente assim. Ela não tem pra quem falar, não sabe em quem pode confiar então guarda tudo para si. Mas todo silêncio sufoca, e ela acha que pode explodir a qualquer momento.
Senti falta de um momento chave. Um clímax. E acho que por isso a leitura não foi muito prazerosa, pois eu já sabia qual seria o final e fora aquele segredo, não tinha mais nenhum ponto alto. Mas, claro, foi ótimo entrar na cabeça de Melinda e aprender com ela.


"Eu só queria dormir. O intuito de não conversar sobre aquilo, de silenciar a lembrança, é fazer com que ela vá embora. Mas não é o que acontece. Vou precisar é de uma neurocirurgia para tirá-la da cabeça."




























Fale! é um romance muito premiado e elogiado, sendo adotado por várias escolas de referência nos EUA como leitura obrigatória. Bem que podiam ter leituras assim nas escolas do Brasil não é mesmo? 
Confesso que esperava um pouco mais dele, algo mais intenso mas mesmo assim indico esse livro para todos, e apesar de ser uma leitura forte em alguns aspectos (dependendo da cabeça de cada um) eu não acredito que tenha uma idade certa para lê-lo. 
Essa edição da editora Valentina está maravilhosa, o trabalho gráfico ficou ótimo!