"A ignorância é uma benção, mas o mundo tem mais a oferecer que isso, e é errado não aproveitar o que ele oferece. Não se pode ser bezerra para sempre."

Editora Record || Skoob || 208 páginas
Elsie Bovary é uma vaca feliz em toda sua simplicidade. Sua rotina na fazenda se resume em comer, ser ordenhada e dormir. Ela nunca quis nada além disso; nunca desejou morar em outro lugar. Até o dia em que sua vida virou de ponta cabeça, ou como ela diz: O Dia em que o Esterco foi Jogado no Ventilador.
Com muito humor, reflexão e trocadilhos, Elsie nos conta sua história.
Depois do dia que viu no impiedoso Deus Caixa imagens de dor e sofrimento (vacas assassinadas e outros animais em situações cruéis), ela passa a ter outra opinião sobre os humanos. Ela agora sabe o que aconteceu com sua mãe, que pensou tê-la abandonado quando era uma bezerrinha, e não quer ter o mesmo destino.
"Não quero ser mais uma no rebanho. Quero ser ouvida."
Elsie não está sozinha em sua indignação.
Jerry, um porco que diz ter se convertido ao judaísmo e agora é chamado Shalom, também quer dá o fora dali antes de virar aquela coisa que começa com B. Ele quer ir para Israel, lugar onde acredita que nunca iriam querer comê-lo,o tanto que o odeiam.
Outro a querer participar da fuga é Tom Turquia, um Peru que é só pele e osso, pois tem medo de engordar e virar prato principal no Dia de Ação de Graças. Tom será uma mão na roda, ou melhor: bico no celular; só ele pode usar o aparelho, já que usar touch screen com cascos não rola. Ele quer ir para a Turquia, pois onde já se viu comerem um peru da própria família? Com certeza irá se safar do forno.
O destino de Elsie é a Índia, pois fica encantada com a forma como tratam as vacas por lá. Quer ser especial e ser tratada com respeito e reverência também.
Quando essas três figuras embarcam nessa viagem com várias paradas, uma imprevisível aventura tem início, e terão que se adaptar a situações inusitadas para se livrarem de um destino em comum.
"Sei que muitos humanos consideram um insulto grave ser chamados de animais. Bem, eu nunca daria a um humano a honra de ser chamado de animal porque os animais podem até matar para viver mas não vivem para matar. Os humanos vão precisar reconquistar o direito de ser chamados de animais."
Holy Cow é um livro de humor, mas isso em nada o limita. O autor, conhecido por seu papel de destaque em Arquivo X, propõe ao leitor refletir sobre vários assuntos e dilemas que permeiam a narrativa; religião, amizade, família, aceitação, tecnologia, egoísmo; hábitos alimentares e até sobre processo de publicação de um livro.
O livro de maneira alguma se atém a apenas um caminho, e a cada virar de páginas nos deparamos com alguma discussão nova sobre a qual pensar. Não, isso não é chato. Se você acha isso vai logo mudar de ideia quando conhecer a charmosa e corajosa Elsie, a Vaca. Uma personagem engraçada, simpática e inteligente.
Li a maior parte dessa estória no ônibus e tive que disfarçar as risadas várias vezes. Os trocadilhos, piadas e referências utilizadas são hilárias (e ácidas)! Há muito tempo não me divertia tanto lendo um livro!
O livro é vendido como sendo um infanto juvenil, porém é certo que crianças abaixo dos 13 anos podem não entender algumas coisas durante a leitura, como algumas referências culturais, históricas e religiosas.
As ilustrações que o livro possui são bem bonitas, mas ao meu ver não conseguiu retratar bem algumas cenas e personagens.
Uma leitura rápida, divertida e enriquecedora. Nem de todo original, nem perfeito, porém um entretenimento bem-vindo com tópicos importantes para discussão. Indico!