
Record, 2018 || 192 páginas || Skoob
Sinopse:
Na calada da noite, na hoje chamada Rua da Carioca, um homem de casaca, pistola na mão, ameaça outro com capa à espanhola e botas de cano longo. Atracam-se. A arma dispara. O de casaca cai ferido mortalmente. Há uma testemunha, cigana, que também tem lá suas culpas.
Entre os crimes que perpassam este romance policial situado no Rio de Janeiro do século 18, apenas um é de fato relevante; apenas um resume e simboliza o livro. E, contraditoriamente, é o único crime que não acontece.
Alberto Mussa opera com perícia a narrativa, conversando com o leitor e palpitando sobre os dilemas dos personagens sem abandonar o posto de narrador, ancorado em pesquisa do vocabulário da época, do contexto, das ruas do Rio, do tráfico de escravos, do contrabando de ouro e da ação inquisitorial, sempre com uma técnica primorosa.
RESENHA ✍
Romance policial que se passa no Rio de Janeiro do século 18? Sim, por favor. A Biblioteca Elementar é o quinto livro do "Compêndio Mítico do Rio de Janeiro", iniciado com O Trono da Rainha Jinga. Autor premiado e um dos nomes mais proeminentes na nossa literatura atual, Alberto Mussa, escritor carioca, escreveu cinco tramas de mistério que se passam no Rio em cinco séculos diferentes, sendo A Biblioteca Elementar o último deles.
Neste livro somos apresentados ao Largo da Carioca, mais precisamente a Rua do Egito, que tem exatamente 19 casas e poucos habitantes. A quantidade pouca de gente não torna, de forma alguma, a rua menos movimentada. Quando um morador é atingido por uma bala e não resiste ao ferimento, muita podridão vem a tona naquela rua lamacenta.
"Amor, paixão são sentimentos abstratos, muito mais teóricos do que se costuma admitir. Poucos amam, na verdade, livremente; poucos amam além de si mesmos, ou dos limites constrangedores de suas circunstâncias."