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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Resenha || A Menina da Neve - Eowyn Ivey

Autor(a): Eowyn Ivey
Gênero: Drama, Fantasia
Nro Páginas: 352
ISBN: 9788581638010

Nota: ★★★★ (4/5)
Sinopse:

Alasca, 1920: Um lugar especialmente difícil para os recém-chegados Jack e Mabel. Sem filhos, eles estão se afastando um do outro cada vez mais ele, no duro trabalho da fazenda, ela, se perdendo na solidão e no desespero. Em um dos raros momentos juntos durante a primeira nevasca da temporada, eles fazem uma criança de neve. Na manhã seguinte, ela simplesmente desaparece.

Jack e Mabel avistam uma menina loira correndo por entre as árvores, mas a criança não é comum. Ela caça com uma raposa-vermelha ao lado e, de alguma forma, consegue sobreviver sozinha no rigoroso inverno do Alasca.

Enquanto o casal se esforça para entendê-la uma criança que poderia ter saído das páginas de um conto de fadas , eles começam a amá-la como se ela fosse filha deles. No entanto, nesse lugar bonito e sombrio, as coisas raramente são como aparentam ser, e o que aprendem sobre essa misteriosa menina vai transformar a vida de todos eles.

"Espero que logo tenhamos neve. As montanhas estão branca, e as manhãs frias, e anseio pela chegada dela."


Jack e Mabel já estão juntos há muito tempo, agora vivendo em uma humilde cabana em um lugar afastado, no Alasca. O ano é 1920 e os invernos são rigorosos, mas a terra é farta. 
Juntos, eles levam uma vida solitária, muitas vezes se comunicando em silêncio; longe da família, e sem amigos. 
Um pedido de Mabel foi o que os levou àquele lugar distante. Ela já não mais aguentava as crianças da vizinhança, as amigas conversando sobre maternidade... A culpa por ter perdido seu bebê sempre encontrava uma brecha para machucá-la e lhe tirar o sorriso do rosto. Ela tinha que ir embora; ir com seu marido em busca de uma terra onde pudessem prosperar, e o Alasca era um bom lugar para isso. 

O inverno daquele ano chega, e com ele os primeiros flocos de neve. O casal não tem ideia se conseguirão sobreviver a ele, afinal a colheita não foi tão boa, e a carne é escassa. Mas eles são podem ir embora, não depois de tudo o que já viveram.

É nessa primeira neve do ano que eles resolvem fazer um boneco de neve, que logo toma a forma de uma pequena garotinha. A garotinha que nunca puderam ter. Eles a enfeitam com luvas e um cachecol vermelho; moldando suas feições com uma pequena faquinha. Entram na cabana deixando uma linda menina de neve para trás que, ao amanhecer, não está mais lá. Nem seus acessórios. 

Animais podem ter feito isso, é o que pensam em um primeiro instante. Mas os animais não poderiam deixar aquelas pegadas de pés infantis na neve, com pegadas de uma raposa bem ao lado, como se a acompanhasse. 

Uma garotinha perdida na floresta... Será? Ou será a resposta para suas orações? 

A menina é uma aventureira. Filha daquela floresta, ela domina o lugar. Ama a neve e, quando essa derrete, corre para as montanhas, onde é sempre frio. Misteriosa e corajosa, mas ainda com um ar infantil, a menina vai trazer para o casal alegria e promessas de uma vida maravilhosa, sem prometer nada de fato. Ela corre para a floresta a qualquer sinal de que podem prende-la. O lugar dela não é em uma casa, com lareira e comida quente na mesa. Sua vida é caçar e explorar as montanhas frias, mesmo que demonstre amar o casal que tanto tentam protege-la. 

Quem será essa menina? E porque apenas o casal parece ter consciência de sua existência? Ela será uma benção ou trará ainda mais sofrimento? Um conto de fadas, ou uma criança largada à própria sorte na floresta? 

Faina, a menina da neve, irá mostrá-los que o amor pode vir de onde menos se espera. Da forma que melhor lhe convier. 

"Podemos fazer isso, não, Mabel? Inventar nossos finais e optar pela felicidade em vez da dor?"


A Menina da Neve é uma bela narrativa com ar de conto de fadas, mas duro como a vida realmente é. 
Esse é o primeiro romance da autora, e Eowyn Ivey consegue mostrar ao que veio. Finalista na categoria de ficção do Prêmio Pulitzer de 2013, esse romance traz ao leitor a belíssima história de Mabel e Jack, um casal já na meia idade, mas que nunca teve filhos, o que os feriu profundamente. 

Mabel é uma mulher forte, mas delicada e apaixonada. Mesmo nos momentos mais difíceis ela arruma forças para superar os obstáculos, mesmo que depois se desague em lágrimas. 
Por não ter vivido o luto de perder seu bebê logo após o parto, ela sente sua culpa corroer sua alma. Sente que se tivesse amado mais aquela criança, e não apenas se questionado sobre sua capacidade de ser mãe, como fez, ela não teria nascido morta. 
Quando a menina da floresta aparece, todos os seus sonhos e fantasmas do passado voltam de uma só vez, para lembrá-la do que não pode fazer, e do que pode proporcionar àquela nova criança. 

Jack sente a tristeza da esposa. Ela nunca foi mais a mesma, e ele não está muito melhor. Mas agora, com aquela nova benção entre eles, a vida do casal, antes sem graça e monótona, é transformada. Eles agora conversam e se divertem, mesmo em meio às controvérsias do inverno rigoroso. Logo fazem amizade com uma família ali perto, os Benson. Barulhentos e empolgados, são o que faltava na vida deles; e agora, com Faina, a menina da neve, tudo está bem.  

Todos os personagens desta narrativa foram muito bem construídos e descritos. Foi impossível, para mim, ficar imune a todos os dramas do casal. A dor, a solidão, o silêncio... Por mais que apenas os primeiros capítulos tragam essa dramaticidade toda de uma vez, é difícil não criar empatia e torcer por eles. 



Com uma escrita bem descritiva e uma trama bem elaborada, Eowyn consegue levar seus leitores a imaginar, sentir e provar todas as imagens, os cheiros e as sensações descritas. É tão bom quanto passar um dia frio de inverno sob os lençóis com uma caneca de chocolate quente, lendo um bom conto de fadas.
E que conto de fadas! 

A autora se inspirou em uma narrativa já bem conhecida lá fora: o conto de um casal de velhinhos que nunca tiveram filhos e criam um boneco de neve, que toma a forma de uma linda menina e, por um milagre, ganha vida. E todos os finais já criados não são nada bons. 
Eu já tinha ouvido falar de algo assim, mas é a primeira vez que leio uma adaptação dele e posso dizer uma coisa: é aquele tipo de estória que dá um quentinho no coração do leitor. 


O livro é narrado em terceira pessoa e traz o ponto de vista dos dois personagens. São 54 capítulos divididos em 3 partes. 

A última parte, com o desfecho da estória, foi a que menos me agradou. Senti como se a autora estivesse perdendo o ritmo de sua própria obra, sem saber muito bem como concluir. 
O final bem amarrado, mas ainda deixa bastante coisa para a imaginação do leitor.

A autora ter escorregado na última parte do livro acabou diminuindo meu ritmo de leitura, mas nada alarmante. Fiz a leitura em 3 dias e posso dizer que possui um bom ritmo, apesar dos pesares. Dei 4 de 5 estrelas no Skoob. 

A edição está maravilhosa! O visual do livro está de tirar o fôlego e quase não se encontra erros de revisão ou impressão. A capa, com toda a certeza, é uma das mais bonitas que a NC já fez. 



Leitura mais que indicada para quem gosta de dramas, conto de fadas e um toque de fantasia :)