Favoritos de 2014 (em construção)

quinta-feira, 1 de junho de 2017

O Segredo de Heap House, de Edward Carey

Autor: Edward Carey
Título original: Heap House
Editora: Bertrand Brasil
Ano: 2017
Páginas: 384
Skoob
*Exemplar recebido em parceria com a editora.
Sinopse: Clod é um Iremonger. Ele vive nos Cúmulos, um vasto mar de itens perdidos e descartados coletados em Londres. No centro dos Cúmulos está Heap House, um quebra-cabeça de casas, castelos, cômodos e mistérios recuperados da cidade e transformados em um labirinto vivo de escadas e criaturas rastejantes. Uma tempestade está se formando sobre Heap House. Os Iremonger estão inquietos, e os objetos falantes estão gritando cada vez mais alto. Os segredos que mantêm a casa em pé começam a vir à tona para revelar uma verdade sombria capaz de destruir o mundo de Clod. Tudo, porém, começa a mudar quando ele encontra Lucy Pennant, uma órfã rebelde recém-chegada da cidade.
Neste livro de pegada sombria conhecemos os integrantes da família Iremonger, a família mais respeitada (pelo menos entre eles) e mais rica de toda a Londres, que vive em uma grande casa feita de pedaços de outras construções. Um verdadeiro castelo mal-ajambrado no meio de um mar de entulho, uma imensidão de lixo. Eles não se misturam com as outras pessoas, e casam entre eles. É uma grande família; enorme, na verdade, e os de linhagem mais distante são serviçais na casa.

Conhecemos a história dessa família pelo ponto de vista em primeira pessoa de Clod Iremonger, O Menino Adoentado, que nunca teve tranquilidade na vida, pois ele consegue ouvir os objetos. Todos os integrantes da família recebem um objeto pessoal, um objeto de nascença, e ficam com eles até o fim da vida, é regra. O de Clod é um tampão universal, que cabe na maioria dos ralos de pia, e se apresenta como James Henry Hayward. Pois é isso que Clod ouve, o nome dos objetos.
"Aqueles apêndices de carne nas laterais da minha cabeça faziam coisas demais; aqueles dois buracos pelos quais os sons entravam viviam assoberbados. Eu escutava coisas quando não devia."
Seus familiares acham que ele é maluco, e que não vai durar muito; e, por ser tão diferente, ele é motivo de piadas e alvo da ira de seus tios e primos.


Mas a aventura tem início quando a tia Rosamud perde ser objeto de nascença, uma maçaneta de latão, e de uma hora para outra aquela casa enorme vira uma bagunça para encontrá-la, para que Rosamud possa sossegar. Mas o segredo que envolve esse sumiço é maior e mais assustador do que eles pensam.

E aí chega uma nova narradora, a órfã Lucy Pennant, que um belo dia é tirada do abrigo e se vê livre do destino triste e fedido de trabalhar no lixão para servir aos Iremonger, pois se descobre que ela tem algum parente com aquele sangue, mesmo que muito, muito distante. Então ela é salva do lixão, para ser jogada em um covil de loucos. De repente, ela não sabe o que é pior.
"Tenho cabelos ruivos e grossos e um rosto redondo e um nariz arrebitado. Meus olhos são verdes e mosqueados , mas esse não é o único lugar em que tenho pintas. Todo meu corpo é sarapintado. Tenho sardas, sinais, manchas e um ou dois calos nos pés. Meus dentes não são lá muito brancos. Um dente é torto. Estou sendo sincera. (...) Meu nome é Lucy Pennant. Esta é a minha história."
O sensível e amedrontado Clod e a teimosa Lucy Pennant então se conhecem e, mesmo naquele cenário horrível, uma improvável amizade tem início.


Logo na capa do livro tem um comentário que diz assim: "Uma encantadora mistura de Charles Dickens com Lemony Snicket." Comentário que, somado a essa capa maravilhosa, deixa o leitor querendo querendo saber mais. E a história não decepciona! O livro se passa no século 19, em uma Londres da imaginação do autor. Toda a trama foi muito bem desenvolvida, assim como os personagens, diálogos e ambientação. Isso sem falar, claro, das ilustrações, feitas pelo próprio autor.

E como são ricas as ilustrações! O leitor é presenteado com a ilustração de cada personagem, e o autor dá bastante ênfase às características mais marcantes de cada um, deixando transparecer um pouco a personalidade dos mesmos.


Essa foi uma leitura muito, muito instigante. Me vi totalmente envolvida pelos protagonistas e seus dramas, torcendo muito por eles. Se me visse obrigada a escolher apenas uma palavra para definir essa leitura seria cativante, E, não, não o vejo como um livro infantil.

Não vejo uma criança de 6/7 anos lendo e entendendo o livro. Tem palavras aqui mais difíceis, além de algumas sacadas um pouco mais adultas e diálogos que precisam ser decifrados. Não é uma leitura rápida, e não é um livro que eu recomendo para crianças com menos de 12 anos. Mas, a partir dessa idade, acho que pode sim ser uma boa pedida, principalmente se tiver lido Desventuras em Série antes, pois essa pode ser considerada uma versão mais intrincada dos livros de Lemony Snicket.

A edição é muito bonita e não encontrei erros de revisão. As páginas são amareladas e todas as ilustrações em preto e branco.

Leitura recomendadíssima! E, como esse é o primeiro de uma trilogia e ele termina em um momento bem tenso, estou roendo as unhas pela continuação!

9 comentários :

  1. Heiii, tudo bem?
    Nossa, que obra mais rica e cheia de detalhes tão bonito.
    Ainda nao tinha lido nenhuma resenha sobre o livro e gostei demais da sua.
    Nem me passaria pela cabeça dar algo assim pra uma criança ler, achei ele mais complexo e gostei da historia, sombria, mas tb cativante.
    Adorei a dica e vou ler com certeza.
    Beijos.

    Livros e SushiFacebookInstagramTwitter

    ResponderExcluir
  2. Oiii Gabrielly tudo bem?
    Menina eu fiquei bastante interessada nesse livro, com toda certeza adoraria ler, traz um assunto que tanto gosto e é um dos meus gêneros favoritos, ótima resenha e lindas fotos, essa edição está um luxo.
    Beijinhos

    ResponderExcluir
  3. Nem todos os livros ilustrados ficam bons. Já vi alguns que era desnecessário, mas pela sua resenha percebo que nesse as ilustrações só agregaram. E a história parece realmente ser encantadora, mesmo que sombria.

    Bjos

    ResponderExcluir
  4. Oie!
    Eu gosto de livros que tenham algumas ilustrações, para podermos visualizar o que o autor pnsou sobre os personagens.
    Ainda não conhecia o livro, mas gostei da indicação, e já sei que preciso indicar para um público a partir do juvenil.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

    ResponderExcluir
  5. Oi, Gaby
    Essa será uma das minhas próximas leitura e estou curiosa. Já tinha dado pra sacar que o livro tinha essa pegada sombria. Fico contente que tenha gostado tanto, me empolga mais para ler. Espero gostar bastante também.

    Livros, vamos devorá-los

    ResponderExcluir
  6. A capa me remeteu ao universo dos filmes do Tim Burton, aquele mundo estranho, misteriosos e atraente. E estes adjetivos me acompanharam ao longo da sua resenha, compartilhando a sua experiência de leitura. Que bom saber que o livro cria um universo todo intricado e bem particular, que se sustenta e ainda nos deixa ansiosos pelas continuações. Fiquei bem curiosa. Obrigada pela dica! Abraços!

    ResponderExcluir
  7. Ola lindona adorei as ilustrações, a sinopse em si é bem interessante, fiquei curiosa com os personagens que pelo visto são bem construídos. Não conhecia o livro e já irá para lista de leitura, ótima resenha. beijos

    Joyce
    Livros Encantos

    ResponderExcluir
  8. Meu Deus! PRECISO LER ESSE LIVRO! Parece incrível e estou mesmo precisando sair da minha zona de conforto. Amei demais sua resenha! E que fotos são essas? Lindas!
    Beijos

    ResponderExcluir
  9. Olá!

    Apesar das lindas ilustrações e da alusão a Lemony Smicket, não é o tipo de livro que procuro no momento, aliás, não é o tipo de livro que costumo ler, mesmo não sendo infantil, não tem como não associá-lo a crianças.

    ResponderExcluir

Obrigada por comentar!