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quarta-feira, 17 de maio de 2017

A Beleza É Uma Ferida, de Eka Kurniawan

Autor: Eka Kurniawan
Tradução de: Beauty Is a Wound
Editora: José Olympio
Ano: 2017
Páginas: 462
Skoob
*Recebido em parceria com a editora
Sinopse: A vida da prostituta mais procurada da fictícia Halimunda, Dewi Ayu, e das quatro filhas é marcada por estupros, incestos, assassinatos e fantasmas – muitas vezes vingativos. Astuta, destemida e engenhosa, Dewi levanta-se do túmulo após 21 anos para contar a própria história e desvendar alguns mistérios. Mas talvez a principal razão para o forte desejo de voltar à vida seja visitar sua quarta filha, a quem ela deu à luz antes de morrer. Seu nome é Beleza, mas foi abençoada com a feiura que Dewi tanto desejou para afastar a família da maldição da beleza. Ao contar essa história, Eka Kurniawan, o aclamado escritor indonésio, faz uma crítica mordaz ao passado conturbado da sua jovem nação: a ganância do colonialismo; a luta caótica para a independência; a ocupação japonesa; o assassinato de um milhão de “comunistas” em 1965, seguido por três décadas de governo despótico de Suharto. Combinando folclore, sátira e a formação da Indonésia, a voz inconfundível de Kurniawan – inspirada em Melville e Gogol – traz originalidade e relevância para a literatura contemporânea e oferece aos leitores o prazer na linguagem exuberante usada para descrever uma carnificina; defendendo simultaneamente a força necessária para sobreviver.

Quando vi esse livro pela primeira vez, fui totalmente conquistada pela capa, tão diferente e tão bonita. Então fui logo ler a sinopse, que desenhou um livro incrível, com uma história realmente instigante. E depois de mais uma olhada na capa e uma pesquisada sobre o autor, lá fui eu ler o livro, com as expectativas elevadas. E talvez tenha sido exatamente isso que me fez gostar tão pouco da leitura.

A Beleza É Uma Ferida é um livro de realismo mágico escrito pelo autor indonésio Eka Kurniawan, o primeiro de sua nacionalidade a concorrer ao Man Booker International Prize. E foi nos contos e no folclore indonésio que ele se baseou ao escrever sua obra, que começa da seguinte forma:
"Numa tarde de fim de semana em março, Dewi Ayu levantou-se do túmulo onde estava enterrada havia 21 anos."
Resumindo, o livro tinha tudo para entrar direto para os meus favoritos; se, claro, a proposta inicial tivesse sido seguida do começo ao fim. Eu queria conhecer Dewi Ayu, sua história pessoal e a de suas filhas, e como a beleza era uma maldição que as seguia. Eu sabia que seria um livro forte, e estava preparada para isso; só não esperava que o autor fosse começar tantas histórias diferentes em um só livro. São muitos personagens e tramas que, sinceramente, poderiam ter sido cortados na metade. A história da protagonista, Dewi Ayu, é muito, muito interessante, mas foi ofuscada quase que o tempo todo por histórias maçantes e de conteúdo duvidoso.


E nesse conteúdo duvidoso eu entro falando sobre algo que foi descrito à exaustão: o estupro. Está na sinopse, como podemos ler, mas nada prepara o leitor para a frequência em que esse ato é narrado e minimamente descrito no livro, são várias! E isso me incomodou muito, sim. Sabe quando você sente que algo está ali pura e simplesmente para chocar o leitor? Não é como se, na guerra, não houvesse estupros, ou na cidade fictícia de Halimunda, ou em qualquer outra data e lugar e situação. O leitor precisa saber disso? Sim. Mas precisava descrever em detalhes, todas as várias vezes que isso ocorria? Desnecessário. O autor tem sim habilidade em sua escrita e poderia usá-la para causar desconforto no leitor de diversas formas, mas escolheu essa e, pessoalmente, foi algo que eu não engoli, de jeito nenhum. Foi exagerado, feio e desnecessário, e um dos motivos que me fizeram demorar tanto para concluir a leitura.

É um livro muito, muito forte, com muitas cenas de violência gratuita, tortura e atos de insanidade. Não tem um só personagem em toda a obra que não tenha sofrido. E as mulheres, bem, são tratadas como objetos ou endeusadas, não existe meio termo aqui.
"Não há maior maldição do que dar à luz fêmeas bonitas, num mundo de homens perversos como cães no cio."

No começo sabemos que Dewi Ayu teve três filhas que herdaram sua incrível beleza, e as três tiveram destinos horrendos por esse motivo, alvo certo de homens inescrupulosos. Convencida de que essa é uma maldição que a persegue, Dewi, ao saber que está grávida da quarta filha, reza para que ela nasça horrível, a mais feia de todas, para que nenhum homem a deseje e ela não tenha o mesmo e cruel destino.

Em muitos momentos do livro as mulheres são culpadas por terceiros, e por elas mesmas, pelas ações dos homens contra elas. Por serem bonitas, "provocantes" ou por simplesmente estarem no lugar errado e na hora errada. Por serem mulheres, melhor dizendo.
"_Bem, você tem toda a liberdade de me amar - disse Dewi Ayu - Mas não espere muito em troca, pois expectativa não tem nada a ver com amor."

Não é um livro para qualquer um. E não é um livro que eu indique. Fui negativamente surpreendida e, por mais que não goste nada de trazer resenhas de livros que não gostei aqui pro blog, preciso e acredito que a sinceridade venha em primeiro lugar.

Lembrando que essa é minha opinião. Enquanto eu não gostei do livro, li no Goodreads resenhas hiper positivas sobre a obra, favoritadas por alguns. Então, se gostou do livro ou tem curiosidade pela leitura, leia e tire suas próprias conclusões :)

A edição está muito bonita, com fonte de bom tamanho e ótimo espaçamento. Não encontrei erros de revisão. 

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