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quarta-feira, 27 de julho de 2016

O Acerto de Contas de Uma Mãe, de Sue Klebold


A Vida Após a Tragédia de Columbine
Autora: Sue Klebold
Editora: Verus
Título Original: A Mother's Reckoning
Páginas: 304
*exemplar recebido em parceria com a editora. 
"Assim como todas as mães de Littleton, eu estivera rezando pela segurança do meu filho. Porém, quando ouvi o repórter mencionar vinte e cinco mortos (uma conta equivocada), minhas preces mudaram. Se Dylan estava envolvido no ferimento ou na morte de outras pessoas, ele tinha de ser detido. Como mãe, essa foi a prece mais difícil que já fiz no silêncio dos meus pensamentos, mas naquele instante eu sabia que a maior misericórdia que eu poderia pedir não era pela segurança do meu filho, mas pela sua morte." (Página 38)


No dia 20 de Abril de 1999, Sue Klebold recebeu a pior notícia de sua vida: a Escola de Ensino Médio de Columbine estava sofrendo um ataque. Dois adolescentes armados abriram fogo contra os outros alunos e funcionários do lugar, matando 13 pessoas e ferindo outras 24. O filho de Sue, Dylan, estava na escola nesse momento. Ele era um dos atiradores.

O ataque foi o maior dos Estados Unidos contra uma escola, e até hoje não se sabe bem quais foram as motivações que levaram os adolescentes a cometerem tamanha crueldade. E um diagnóstico psiquiátrico de Dylan e Eric foi inviável, já que se suicidaram logo após o ataque.

Os detalhes do massacre são pesados, e mostram que os adolescentes planejavam aquilo há muito tempo, comprando armamento pesado e muitas bombas. E o que se sabe do estado psicológico deles é que Eric Harris demonstrava comportamento psicótico e sadista, era racista e tinha fascínio por outros grandes atentados. Já Dylan Klebold, segundo seus pais, sempre foi um garoto iluminado, inteligente e carinhoso; tendo demonstrado um comportamento depressivo apenas meses antes do atentado, e de uma forma não-alarmante, segundo seus pais, que acreditavam que o filho estava mais melancólico pelos problemas comuns da adolescência. 

Como Sue não pôde perceber os sinais de que o filho estava depressivo? Ou que iria acabar com a vida de tantas pessoas dali a pouco tempo? É a partir dessas perguntas que ela traça um retrato de sua família, desde o nascimento de Dylan até o dia do massacre. Se pergunta onde errou, o que deixou passar e o que poderia ter feito de diferente; sofrendo as duras críticas da mídia e da comunidade de Littleton, e do mundo todo. 



O Acerto de Contas de Uma Mãe é Sue Klebold basicamente tentando colocar suas ideias em ordem, contando com as anotações que fez em seu diário na época e sua memória. As tentativas de Sue de encontrar um motivo para tamanha atrocidade cometida por seu filho é comovente, mas muitas vezes ela cai em uma repetição desnecessária, o que torna a leitura muito lenta.

Essas repetições acontecem principalmente quando ela tenta mostrar uma face mais humana do filho, o quão amado ele foi e o quão bondoso era; e também sobre a criação dele, sobre ela ter sido uma boa mãe e seu marido um bom pai. E Sue, como é esperado, volta a essas mesmas teclas na maior parte do livro. Ela tenta mostrar o quão Dylan era bom, sem diminuir o que ele fez.
"O terror e a descrença absoluta são acachapantes. A tristeza de perder meu filho, a vergonha pelo que ele fez, o medo do ódio do mundo. Não há trégua para a agonia." 
O sofrimento e descrença de Sue são extremamente palpáveis, mas eu como leitora não me senti especialmente tocada por suas palavras. É difícil escrever isso, mas foi o que aconteceu. E sinceramente não sei dizer se isso se deve às repetições em demasia ou à escrita em si. Quando peguei o livro para ler esperava me sentir próxima à Sue, à sua família e entender também mais sobre a tragédia; o que infelizmente não aconteceu. Sobre os detalhes do massacre, não são muito diferentes do que encontramos na internet, então quem quer realizar a leitura por curiosidade sobre o tiroteio em si não vai encontrar nada de novo.

Esse é um livro de memórias, escrito para organizar pensamentos sobre um episódio extremamente violento protagonizado por um filho. É um livro forte, denso e interessante. Infelizmente não foi uma leitura tão proveitosa para mim, mas isso não diminui em nada o relato de Sue Klebold e sua intensa pesquisa relacionada às doenças do cérebro, presente na segunda metade do livro.
"Mas eu aceito minha própria dor; a vida é cheia de sofrimento, e esse é o meu. Eu sei que teria sido melhor para o mundo se Dylan nunca tivesse nascido. Mas acredito que não teria sido melhor para mim."
A edição está lindíssima, com algumas imagens do arquivo pessoal dos Klebold. Além disso não encontrei nenhum erro de revisão. A única coisa que me incomodou na diagramação foi o tamanho da fonte.



29 comentários :

  1. Olá
    Nossa, essa deve ser uma história muito profunda e forte mesmo, por conta das memórias, e nem sei como ainda não tinha conhecimento desse livro. A edição deve estar maravilhosa e espero poder fazer a leitura desse título também. Já anotei a indicação aqui. Gosto bastante de temáticas envolvendo essa ambientação.

    Beijos, Fer
    www.segredosemlivros.com

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    1. Também gosto de ler sobre a temática, Fer :) Espero que goste da leitura.
      Beijão

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  2. Nossa, que livro forte. Eu ainda não o conhecia mas acredito que a leitura deva ser muito intensa e com certeza ser chocante em muitos momentos. As pessoas tendem a culpar os pais pelo comportamento perverso dos filhos, mas não é bem assim e acredito que esse livro esclareça muita coisa para as pessoas que a criticaram tanto. Não é um tipo de livro que eu compraria para ler, mas se por algum motivo estivesse com ele em mãos, acho que o leria sim.

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    1. É realmente um livro intenso! Infelizmente muitas vezes culpamos os pais equivocadamente, mas é triste saber que muitas vezes eles tem sim um papel importante no desenvolvimento de questões psicológicas graves, muitas vezes com o abandono e a agressão física e psicológica. Sue foi muito forte em enfrentar as criticas que recebeu e tentar mostrar o lado dela.

      Espero que leia e goste! :D

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  3. Me emocionei lendo a resenha... Imaginei a dor de uma ma~e perdendo o filho em uma tragédia assim, mas a for de uma mãe em saber que seu filho causou a dor em outras mães, nem dá pra dimensionar. Não sabia da existência do livro e agora, quero muito ler, porque acho pertinente, para mim que sou mãe, ler e conhecer esta história.
    Adorei a dica
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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    1. Acho que irá adorar a leitura, Ivi! E provavelmente será ainda mais tocante para você do que foi para mim.
      Beijos!

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  4. Olá Gabrielly,
    Gosto muito de livros de memórias e gostei bastante da premissa dele.
    Fico imaginando como Sue se sentiu por saber que o filho fez isso e, sem dar maiores explicações, se suicidou. É muito comum as pessoas buscarem seus erros em situações assim e entendo totalmente seu lado, assim como entendo as partes repetitivas no livro, mesmo que isso torne a leitura lenta.
    Apesar de a leitura não ter sido proveitosa para você, fiquei curiosa para conhecer esse relato e anotei a dica.
    Beijos,
    Um Oceano de Histórias

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    1. Espero que goste bastante da leitura, Bruna! :D
      Beijos!

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  5. Oi, Gabrielly!
    Nunca tinha ouvido falar nesse livro e fiquei interessada por ele. Em parte foi por curiosidade de saber se eu me sentiria toca pela narração de Sue, o que não aconteceu contigo. Mas também me senti tentada a ler porque não tenho muito conhecimento deste ataque (pois é!), então tudo seria uma novidade para mim.
    Beijos - Historiar

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    1. Pois leia sim, Thamires! E espero que tenha uma boa experiência de leitura.
      Beijos!!

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  6. Que livro incrível, já tinha visto em outros lugares, mas não sabia do que se tratava. Uma leitura bem propensa ao momento, só é o que os noticiários de tv andam falando nos últimos meses... Mas nunca parei pra pensar como se sente a mãe do que provoca esse tipo de ataque, sempre pensamos nas vítimas. Imagino a densidade da narrativa. Bj!

    https://sobrelivroseliteratura.blogspot.com.br/

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  7. Olá!! :)

    Nao conhecia o livro mas confesso que nao me interessei... ahah A verdade e que nao faz nada o meu genero literario, ainda que a premissa nao seja ma de todo! :)

    Ainda bem que gostaste e que gostaste do tema e ate das fotografias apresentadas! :)

    Boas leituras!! ;)
    no-conforto-dos-livros.webnode.com

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  8. OI!!

    O fato de você não se sentir tocada provavelmente deve ser por ela não ter tido uma visão imparcial, ou seja, as palavras repetidas com certeza influenciam, mas o leitor não quer a defesa do agressor e sim, uma explicação lógica que analise as duas vertentes da história. Não é uma obra que me sinta compelida a ler, mas obrigada pela dica. Beijos!

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  9. Olá
    Nossa, eu desconhecia essa história,mas confesso que fiquei bem curiosa para conhecer mais sobre a mesma. Esse tipo de ataque já aconteceu várias vezes, inclusive aqui perto de onde moro (só que o menino entrou com uma faça, e satou uma pessoa) gostei do que o livro transmitiu pra você, e o fato de ser um tema bem pesado me deixou com um pezinho atrás, mas sem dúvidas irei lê-lo em breve. Assim espero. Até mais vê
    Bjss

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  10. Hey!
    É realmente muito chato quando esperamos mais de uma história e ela acaba nos decepcionando. Eu acredito que já tinha ouvido falar sobre esse ataque, mas não sobre o livro. Parece ser uma história bastante tensa e forte, fico imaginando a dor de Sue ao saber que o seu filho causou tais atrocidades. É bem provável que Dylan tinha um quadro psicológico parecido com o de Eric, pode ter tido algum surto ou algo do tipo, afinal, alguém que era carinhoso e bondoso, como a mãe dele cita, não teria esse tipo de comportamento do nada.
    Um abraço!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

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  11. Olá♥
    A resenha está incrível, gostei muito da premissa do livro.Se eu não me engano eu já ouvi falar dessa história, na medida em que fui lendo sua resenha minha vontade de ler foi só aumentando, imagino o que se passou na cabeça dessa mãe. A história parece se bem intensa e por isso eu quero ler, quero saber um pouco mais sobre o que de fato aconteceu, talvez Dylan pode ter sido influenciado por Eric não sei, acho que muitas perguntas somente a leitura me dará a resposta .Ótima dica de leitura ♥

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  12. Oi
    Que livro forte! Não conhecia, mas imediatamente fiquei pensando como foi difícil para essa mãe acertar sua vida. Perder um filho é terrível, mas imagina o que ela não passou sabendo que seu filho assassinou outros. Com certeza é uma leitura que desperta minha curiosidade e já anotei para ler o mais rápido possível.
    Adorei a resenha.
    Beijinhos
    Rizia - Livroterapias

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  13. Olá,

    Nossa que livro emocionante. Já sabia deste acontecido, mas não sabia da existência de uma obra da perspectiva da mãe do garoto. Realmente deve ter sido um choque para ela, que não conseguiu perceber a iminente depressão do filho. O livro parece ter uma grande carga emocional e me interessei muito pela obra.
    Com certeza vou ler e espero fazer isso o mais rápido possível.

    Abraços
    Cá Entre Nós

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  14. Oi!
    Esse livro parece ser bem denso,com uma carga emocional muito pesada, por conta de toda a história que ele conta. Nunca imaginei conhecer o lado da mãe de um dos atiradores, deve ser uma experiência bem diferente conhecer a visão dela. Particularmente não estou no clima pra esse estilo de leitura, por isso passarei a dica, ao menos no momento.
    Beijos!

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  15. Acho uma história pesada e tensa, sobre o sofrimento de uma mãe vendo seu filho seguir o caminho errado, realmente tem tudo para ser tocante, e a escrita para comover e convencer o leitor, deixando-o se colocar no lugar de ambos e pensar alguns conceitos sobre a discussão de que as mães são responsáveis pelos filhos serem assim, certamente quero ler esse livro

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  16. Oie!
    Com certeza, um livro super emocionante, daqueles que é necessário ler com uma caixa de lenços ao lado. Eu ainda não conhecia esse livro, mas tenho certeza que vou me emocionar ao acompanhar o sofrimento dessa mãe vendo as escolhas do filho.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

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  17. Adorei tua resenha! Estava curioso para ler este livro.
    É um assunto ainda chocante para mim e que vemos repetindo cada vez mais.
    Abraços
    Blog do Ben Oliveira

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  18. Olá!

    Acho que já ouvi falar sobre esse livro em algum lugar, mas não lembro onde.
    A estória é bem interessante e de certa forma tocante, já que está mãe deve ter sofrido muito ao ver que não conhecia o filho tão bem assim e perde-lo por causa da atrocidade que cometeu.
    O fato de a autora ser muito repetitiva desanima um pouco a leitura, mas acho qie pela curiosidade eu leria o livro.

    Beijinhos!
    Cantinho Cult

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  19. Oi, tudo bem?
    Eu não conhecia o livro e de início fiquei animada, mas ao saber que a autora é repetitiva em vários momentos e que não há muito mais sobre o massacre do que está na internet, fiquei um pouco desanimada, sabe? Mas deve ser triste ler a mãe se perguntando sobre o que fez de errado.

    Beijos :*

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  20. Eu me lembro desse caso. Foi na época em que eu fazia a minha faculdade, e o ocorrido gerou muitas discussões em sala de aula, na disciplina de Psicologia da Educação. Foi uma situação muito triste, porque todos naquela comunidade foram, de algum modo, atingidos. Nem gosto de pensar no sofrimento dessa mãe! Acho que o livro é muito válido como reflexão e como desabafo dessa mãe. Mas creio que, ainda assim, não seria uma boa leitura para mim, pois não é o tipo de livro de que eu goste, acho meio pesado. Sinceramente, eu não gostaria de estar no lugar de Sue, é uma tristeza para toda a vida.

    Tatiana

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  21. Oi Gabi, tudo bem?
    Sabe que eu não conhecia esse livro ainda e devo dizer que chamou muito minha atenção. Eu gosto dessas leituras mais fortes e marcantes e pelo que percebi esse livro trouxe exatamente isso e de uma forma muito intensa. Gostei muito de conhecer a obra e com toda certeza irei atraz dele. Ótima resenha!

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com/

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